A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

11
Jun 09

 

Já o disse muitas vezes e é o que sinto. Salgueiro Maia encarnou o verdadeiro espírito do 25 de Abril. Fez o seu papel, o MAIOR, e regressou ao quartel. Nunca aceitou mordomias e, por isso mesmo, até na sua carreira militar não foi lá muito bem tratado.
No dia de ontem, em Santarém, o Presidente de República tinha duas hipóteses;
Ou fazia uma homenagem a sério ao Capitão de Abril e redimia-se do tremendo erro cometido por si, há 20 anos, quando era Primeiro Ministro, ou então, nem sequer passava perto da estátua de Salgueiro Maia, quanto mais ir lá por uma coroa de flores.

 

Os que amam a LIBERDADE, e os que admiram, como eu, Salgueiro Maia e o que ele representa, não podem esquecer-se de quem o tratou mal.

SBF
publicado por voltadoduche às 01:27

10
Jun 09

 

No mesmo sítio do calendário, há muito tempo contado em anos, p’ra lá de trinta e cinco, os fardados alinhavam numa grande parada no Terreiro do Paço em Lisboa, e aí, os grados da ditadura, espetavam alfinetadas e prestavam homenagens.
No mesmo sítio do calendário, naquele tempo, os grados não tinham remorsos nem estavam arrependidos. Vinha-lhes o conforto das máximas do “botas” (pátria, família, deus, autoridade) ou outras tão conhecidas e baladas naquela época.
No mesmo sítio do calendário, naquele regime político que durou tempo demais, os peões não davam tréguas aos que estavam noutra guerra, a luta pela LIBERDADE. Os pides e a sua legião de bufos, guardas de honra do “botas”, perseguiam, prendiam e torturavam.
No mesmo sítio do calendário, e no mesmo Terreiro do Paço, muitas lágrimas caíram pelas faces dilaceradas pela dor da perda do ente querido embarcado para África para uma guerra que não queria, para uma guerra que não lhe pertencia.
No mesmo sítio do calendário, e na naquela mesma varanda do Terreiro do Paço, os grados da ditadura nunca tiveram remorsos nem nunca estiveram arrependidos.
Hoje, neste tempo contado em anos depois do nazareno, em dois mil e nove, no mesmo sítio do calendário, visitei a Fortaleza de Peniche. Uma das prisões mais importantes da pide e hoje transformada em museu da luta pela LIBERDADE.  
SBF
publicado por voltadoduche às 20:02

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