A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

09
Jan 11

Todos os portugueses que festejaram o 25 de Abril, e que acreditaram na verdade dos homens que o tornaram possível, ficaram hoje mais pobres com o desaparecimento terreno de Vitor Alves.

 

Mais pobres, porque esta sensação de perda dos valores interiorizados naquele dia e nos que se seguiram, cresce e acelera quando um dos principais obreiros da revolução morre.

 

Vitor Alves, para além da sua operacionalidade antes e durante o dia 25 de Abril, foi uma força importante de moderação nos tempos que se seguiram, optando com outros, e à medida que se iam medindo as influências partidárias, por uma postura central muito difícil de assumir e materializar naquela época.

 

O Capitão de Abril não estava, de certeza, satisfeito com a situação atual de Portugal.

 

Quando acima digo “perda” é neste sentido: Deficit externo de dois dígitos, deficit orçamental previsto para 2010 de 7,3%, dívidas soberana e nacional excessivas para a debilitada situação económica, as permanentes ameaças à nossa soberania – hoje económicas, não militares – por forças completamente obscuras ao serviço do grande capital universal e que se sobrepõem a todas as instituições democráticas, a regressão de fato, do nível de vida dos portugueses com uma taxa de desemprego nos máximos históricos e, em consequência de tudo isto e dos interesses anti-comunitários da União Europeia, o Governo do PS – porque se fosse doutra cor partidária era o mesmo – é obrigado a fazer um orçamento altamente recessivo com todos os sacrifícios que isso implica.

 

Por outro lado, o Capitão de Abril estava de consciência tranquila porque todo o esforço e luta empreendida naquela época, resultou em muitas coisas boas e essenciais para recuperar o caminho certo da nossa história:

 

A Guerra Colonial acabou, os povos das antigas colónias puderam finalmente ser independentes, a pide foi desmantelada assim como todo a estrutura do Estado da ditadura, foi eleita uma Assembleia Constituinte e elaborada uma Constituição Democrática que, por sua vez, deu lugar a eleições democráticas para o Presidente da Republica, para a Assembleia da República e para as Autarquias, a economia, a pouco e pouco, democratizou-se, deixamos de estar orgulhosamente sós e passamos a fazer parte da família europeia e, à medida que os anos passaram, o sistema democrático foi sendo encarado como o ar que se respira.

 

Duma forma geral, e por muito que nos queixemos, não há comparação possível entre o Portugal de Abril de 1974 e o de hoje. A Evolução foi a pique. É bom não esquecer que, para além de todos os problemas que aí estão, fazemos parte do conjunto reduzido de Países a que chamam ricos!

 

Vitor Alves é merecedor de todas as homenagens.

 

Que descanse em Paz!

Silvestre Félix

 

(Foto: Expresso Online)


06
Set 10

 

Pelo rescaldo da Revolução dos Cravos, lá por 1976 e 1977, com a energia dos meus 22/23 anos, aí andava eu com outros camaradas, a bradar aos portugueses o preâmbulo da Constituição da República Portuguesa aprovada na Assembleia da República em 2 de Abril de 1976.

 

Para o campo da minha luta, à época, o documento passou de tolerado a conquista revolucionária e, por isso, defendido em todos os palcos da Nação.

 

O alinhamento dos textos que transmitíamos durante as apresentações, era uma seleção coletiva do grupo que incluía diversos autores portugueses e não só. Lembro-me por exemplo, que o “Operário em construção” de Vinicius de Moraes, fazia parte do programa.

 

O que comecei por dizer, vem a propósito do livro que li este fim-de-semana – SITA VALLES Revolucionária, Comunista até à Morte  – porque associo sempre esta minha fase de andarilho pelas festas e comícios, aos acontecimentos de 27 de Maio de 1977 em Angola. A forma como as coisas se desenrolaram na ex-colónia naqueles dias, eram motivo de conversa entre os elementos do grupo.

 

O desconforto era grande e maior ficou, quando se percebeu que Sita Valles – até dois anos antes, militante do PCP e dirigente de topo da UEC em Portugal – estava presa em Luanda.

 

Lendo a narrativa da autora “Leonor Figueiredo”, percorro lembranças da minha geração durante aqueles anos carregados de voluntarismo e generosidade.

 

Naquela época, “o sonho comandava a vida”, no caso da Sita, comando-a para a morte e, à excepção da família e dos amigos, não teve nada nem ninguém, que lhe salvasse os sonhos.

 

SBF

 

(Links: Aletheia e Parlamento)

publicado por voltadoduche às 19:25

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