A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

27
Set 09

 

Um, dois e três, “lá vai alho!” e, lá vai balanço, corre, corre, e… aii! Quatro, cinco e seis, “és pesado c’mó ca…!”
A classe toda ao mesmo tempo, como se de coro de igreja se tratasse; nove vezes um, nove, nove vezes dois, dezoito, nove vezes três, vinte sete… e por aí fora. Nunca gostei da tabuada dos nove nem das fotografias na parede atrás da professora.
Não sei como, mas um, eu sabia que era o Salazar, o outro, só mais tarde soube que era o Craveiro Lopes e já devia ser o Américo Tomás. Estava atrasado três ou quatro anos, porque o Américo Tomás ficou Presidente quando o Humberto Delgado ganhou em 1958, e, como tinha dito que demitia o Salazar, este antecipou-se, e pôs a PIDE a correr com ele. Naquele tempo, os presidentes, os ministros, os directores e o Salazar, faziam assim; quando “não iam à bola com alguém” punham a PIDE, que era uma polícia que não vestia farda para as pessoas não saberem quem eram, dizia eu, punham a PIDE atrás, apanhava a pessoa, prendia, batia e torturava e depois tinham uns tribunais a fingir, que se chamavam “plenários”, onde condenavam as pessoas a penas efectivas de prisão, para não andarem a gritar “Viva a liberdade!”, “Abaixo o fascismo!”, “Abaixo o Salazar!”, “Eleições livres!”, “Vivam os trabalhadores!” “Independência pás Colónias!” e muitas outras coisas que naquele tempo ninguém podia dizer porque o Salazar não queria.
A minha professora não usava régua com buraquinhos. Dava reguadas com uma régua normal de madeira. Estava mesmo a dizer a verdade. Foi injusta comigo, mas eu não tive argumentos que a convencesse, e, não tive como escapar à régua que me aqueceu as palmas das duas mãos. Mas a Professora era boa Senhora.
Encosta só a pontinha da fralda da minha bata branca à bata aos quadradinhos azuis do “Julinho” – E o “Julinho” diz; “Está a fazer contacto, vai dar choque…” e eu esperava e nada…nem contacto, nem choque, tudo na mesma.
E as férias vieram e o Natal também veio, e depois o Ano Novo, e a guerra em Angola começou. Quando voltei à escola, já lá estava o Américo Tomás em vez do Craveiro Lopes. E a minha Mãe dizia mal da guerra. Oh Mãe, quando eu for pá tropa ainda há guerra? Não filho, ainda falta muito tempo.
Eu aprendi com a minha Mãe que a guerra era uma coisa má, e a minha Mãe dizia sempre mal da guerra. Com a minha Mãe só aprendi coisas boas.
Chegou a hora do recreio. Ainda falta muito contado em anos para ir pá tropa.
Um, dois e três, “lá vai alho!”
SBF
 
publicado por voltadoduche às 01:27

26
Mai 09

 

Estes comentadores, analistas, jornalistas e políticos na oposição, empurram-nos tão para baixo que, quando acontece alguma coisa de bom, ou, nem sequer nos apercebemos porque a notícia passa pequenina num canto do ecran da televisão e, na altura, o jornalista tem um ataque de tosse, ou, demoramos tanto tempo a reagir, que quando ficamos conscientes da coisa, o tempo de entusiasmo já passou.
Boas notícias
Ontem, no festival de Cannes, a curta-metragem “arena” do jovem realizador português João Salaviza, recebeu a Palma de Ouro do certame. É a primeira vez que tal acontece com o cinema português.
Hoje, os jovens tenistas: Michelle Brito e Rui Machado ganharam e passaram para a eliminatória seguinte do torneio de ténis de Roland Garros em Paris. No sábado o Frederico Gil não conseguiu ganhar mas subiu para o 66º lugar do ATP. Para Portugueses, todas as situações são inéditas.
Noutra onda, também vimos e ouvimos hoje nos noticiários, o lançamento da distribuição a nível nacional do “cabo fibra - óptica”. Disse o maior da PT, que este avanço tecnológico é o primeiro a nível europeu e o terceiro a nível mundial.
SBF
publicado por voltadoduche às 01:27

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