A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

25
Jun 12

 

 

 

 

Ler os romances de José Rodrigues dos Santos é confirmar o resultado de pesquisa séria que, através do seu personagem exclusivo, Professor Tomás de Noronha, transmite ao leitor conhecimento e “bagagem” para interagir numa saudável polémica.

 

A leitura de “O último segredo”, cravado de críticas por parte de algumas personalidades ligadas à Igreja Católica, foi feita de Bíblia com Novo e Antigo Testamento ao pé, para consulta e motivou-me a ler de seguida na íntegra, “O túmulo da família de Jesus” de Simcha Jacobovici e Charles Pellegrino, com prefácio de James Cameron, que já estava cá em casa. Quero com isto dizer que, no que respeita a «informações históricas e científicas», como se refere no início do livro, «são verdadeiras».

 

Independentemente da leitura de um romance de qualidade como o autor já nos habituou, estamos perante um manancial de informação histórica que enriquece o grau de conhecimento de qualquer leitor. Do ponto de vista religioso o tema é polémico mas, bem vistas as coisas e assumindo a obrigação da procura da verdade, só se fazem perguntas e as respostas são dadas por cada um de nós. 

 

Depois de ter seguido as narrativas do Professor Tomás de Noronha fiquei mais sabido e já espero pelo próximo livro.

 

Parabéns José Rodrigues dos Santos!


Edição da “Gradiva” a primeira em Outubro de 2011.

 

Silvestre Félix


04
Mai 12

 

O terramoto de 1 de Novembro de 1755 destruiu parte considerável do País e, principalmente, Lisboa. A cidade capital do Império foi arrasada três vezes por outros tantos elementos diferentes; A terra que tremeu e a deitou ao chão, o mar e o rio que a inundou e, que no “reverso”, até os destroços lhe roubou, e o fogo que o resto ardeu e os moribundos asfixiou.

 

O romance que é histórico, “Quando Lisboa Tremeu” de Domingos Amaral, transporta o leitor para o meio da tragédia que se abateu sobre a cidade e seus habitantes. Tudo foi destruído incluindo a maior parte dos testemunhos históricos de Portugal.

 

O autor “extrai” algumas personagens que se cruzam naqueles dias a seguir ao terramoto e descreve-nos, duma forma clara, o fanatismo religioso protagonizada pelo repelente padre Malagrida e pela odiada inquisição. Por outro lado e em oposição a um poder real detido pela igreja, dá-nos uma versão, nem sempre positiva, do homem Sebastião José de Carvalho e Melo mas que, no seu papel de ministro e líder numa altura tão dramática, fez sobressair as suas qualidades de Estadista e merecedor dos títulos que o Rei lhe ofereceu. Não tenhamos dúvida que o Marquês de Pombal foi o grande obreiro da recuperação, reorganização e reconstrução de Lisboa.


Domingos Freitas do Amaral nasceu em 1967 na cidade de Lisboa, é escritor, jornalista e diretor da revista GQ.

 

Adquiri a edição de bolso da BISLEYA de Março de 2012 muito acessível à carteira.

 

(Gravura: Capa do livro do site da editora)

 

Silvestre Félix

 

 

 

 

 


23
Abr 12

O mapa da “Índia Portuguesa” iria permanecer junto dos outros que representavam todos os cantos do “império”, na sala de aulas da minha escola primária por muitos mais anos, mesmo depois de 18 de Dezembro de 1961, dia em que os territórios de Goa, Damão e Diu foram anexados pela União Indiana.

                      

O romance histórico, “A primeira derrota de Salazar” de Paulo Aido, conta-nos o que se passou naqueles últimos dias de 450 anos de soberania portuguesa em Goa. Trata-se duma narrativa cronológica que retrata bem a irredutibilidade de Salazar em negociar uma saída honrosa e vantajosa para todas as partes.

 

O que Salazar queria, para o poder exibir ao mundo, era o massacre dos 3.500 militares e, se possível, de mais alguns milhares de civis. Felizmente, na Índia, o Governador Vassalo e Silva teve o bom senso e a sabedoria de o evitar.

 

Paulo Aido é jornalista de profissão e a edição é de “Zebra Publicações” e a primeira em Novembro de 2011.

 

Para enquadrar, do ponto de vista histórico o romance, consultei com regularidade, “Xeque-mate a Goa” de Maria Manuel Stocker numa edição de 2005 da “Temas e Debates”. Há uma nova edição da Bertrand de 2011. Para quem se interesse por esta temática (Ex-Índia Portuguesa) ou, duma forma geral, pela política colonial de Salazar, aconselho vivamente este ensaio de Maria Stocker.

 

Enquanto li “A primeira derrota de Salazar” também mantive “à mão” outro retrato do ditador, “Salazar o ditador encoberto” de António Simões do Paço, edição da Bertrand de 2010, que me ajudou a considerar toda a abrangência daquela época tão “quente”. Em 1961 começava também a guerra em Angola e a ditadura de Salazar era, finalmente, condenada em todos os areópagos internacionais.

 

Silvestre Félix


13
Mar 12

 

 

 

 

 

A grande massa de portugueses conheceu Fernando Assis Pacheco assistindo, em 1977, ao êxito que foi o programa televisivo, “A visita da Cornélia”, apresentado pelo “grande” Raul Solnado.


Nuno Costa Santos escreveu a biografia de Fernando Assis Pacheco que, em tempos, assim se definia: «Sou o FAP, 41 anos, um pasmado sem cura. Tudo me espanta, gramo a vida, quero morrer mais lá para o verão.» O autor chama-lhe “trabalhos e paixões” mas, do género, é do que mais gostei nos últimos tempos. FAP era fascinante. Jornalista e escritor com uma forte marca poética, trabalhou em várias publicações destacando-se, pelo compromisso profissional permanente, nos jornais: “Diário de Lisboa”, “República”, “O Jornal”, “Jornal de Letras” e, até à sua morte, a revista “A Visão”.

 

Nuno Costa Santos consegue transmitir para o leitor a verdadeira personalidade de Fernando Assis Pacheco com o ritmo certo. Vale a pena ler estes “trabalhos e paixões”. Para os que já conheciam FAP é uma oportunidade de o recordar, para os outros, de o descobrirem.

 

Nuno Costa Santos é escritor e guionista e tem 37 anos e teve a coragem de levar a cabo esta interessante obra.

 

É uma edição da “Tinta da China” em Janeiro de 2012.

 

Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 21:22

02
Fev 12

No rasto de Afonso de Albuquerque, “O Leão dos Mares da Ásia” como lhe chamou e deu em subtítulo Geneviève Bouchon na sua obra publicada em 2000, organizou o Centro Nacional de Cultura (CNC) uma viagem, em 2009, ao jeito de peregrinação pela rota das conquistas portuguesas do início do século XVI, por Omã, Emiratos Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia e Egito, da qual Leonor Xavier, uma das viajantes, escreveu “Uma Viagem das Arábias” que relata o dia a dia do grupo desde a saída de Lisboa a 31 de Agosto e a chegada a 12 de Setembro.

 

As visitas aos locais que testemunham a presença dos portugueses por aquelas paragens, de 1507 a 1650, são descritas com mais pormenor e sempre acompanhadas de textos sobre as respetivas conquistas e construções por parte de Afonso de Albuquerque ou seus subordinados marinheiros.

 

Leonor Xavier diz-nos também o que se encontra conservado ou reabilitado, conta-nos também como os visitantes portugueses sentem o desenvolvimento daquelas Terras e como os locais convivem com a nova realidade. Pela escrita também nos mostra Petra no Reino da Jornânia, essa jóia tantos séculos escondida da civilização ou as populares pirâmides e esfinges do antigo Egito onde Afonso de Albuquerque também quis chegar entrando pelo Mar Vermelho que ele chamava “Roxo”.


É de leitura muito agradável e, para quem gosta de viajar, é um bom aperitivo.

 

Leonor Xavier nasceu em Lisboa em 1943, jornalista e escritora com vários prémios recebidos em Portugal e no Brasil onde viveu 12 anos.

 

É uma edição conjunta do Centro Nacional de Cultura e Clube de Autor e 1ª em Junho de 2011.

 

Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 16:45

23
Jan 12

 

Acabei de ler, há alguns dias, o último romance desta agradável obra (três em um), 1621 publicado em Maio de 2009. Para trás já tinham ficado 1613 de 2005 e 1617 de 2007.

 

Os amores e as aventuras começam nas rotas marítimas e praças estabelecidas pelos navegadores portugueses durante todo o século XVI no oceano Índico. Desde o rendilhado de ilhas do arquipélago indonésio com fortalezas construídas em Flores, Solor e na nossa bem conhecida Timor, passando pela grande Java, feitoria de Malaca até chegar a G

 

oa na costa do malabar. Até aqui tratam os dois primeiros romances com abordagem objetiva à subordinação espanhola por parte dos portugueses desde o desastre de Alcácer Quibir em 1580. O correr dos acontecimentos romanceados demonstram o declínio lusitano, dando lugar a um protagonismo cada vez mais evidente de Holandeses, Ingleses e Espanhóis.

 

O Último romance, 1621, faz o caminho de regresso à Europa, partindo de Goa por mar e aportando à costa ocidental de Marrocos. Aqui, o autor introduz novos protagonistas e, enriquecendo a estadia dos principais em terras africanas com várias e gostosas aventuras. A passagem para a Europa vem acompanhada de muitas referências cabalísticas dado o envolvimento na trama duma perseguição sem tréguas da odiosa “santa inquisição”.

 

Independentemente do interesse da narrativa romanceada, este trabalho de Pedro Vasconcelos também é muito útil para quem queira saber um pouco mais da história do antigo Império português do Oriente e da desastrada, criminosa, injusta e inoportuna expulsão de Judeus de todas as terras administradas pelos portugueses.

 

Pedro Vasconcelos nasceu em Lisboa em 1961. As edições são da “Oficina do Livro”.

 

Silvestre Félix

 
publicado por voltadoduche às 20:04

15
Nov 11

Mário Zambujal dispensa apresentações e, não fosse pela valia, até dispensava elogios. É o atual presidente do Clube de Jornalistas e, decerto, ninguém melhor do que ele, o é. Passou pela maioria dos jornais nacionais generalistas e temáticos, de referência ou não e estreou-se na literatura em 1980 com a “Crónica dos Bons Malandros” que chegou a ser adaptado ao cinema e, já em 2011, dá origem a espetáculo musical e volta a ser publicado em livro.

 

Vem o Mário Zambujal a propósito do seu livro “Longe é um bom Lugar (o resto são histórias)”. São um conjunto de histórias delirantes com o tempero que eu adoro, característico do autor. A leitura é leve e aconselhável para períodos de menos concentração.

 

O livro lê-se de uma assentada e alivia o espírito. O humor sábio de Mário Zambujal empresta-nos o lado mais fácil da vida e ajuda-nos neste tempo de crises e de tempestades.

 

É uma edição do “Clube do Autor” deste Outubro de 2011, com preço acessível e bem justificado.

 

Silvestre Félix

 

(Gravura: Capa do Livro digitalizada)

publicado por voltadoduche às 17:21

01
Nov 11

 

Na altura em que chega às livrarias o último livro de Valter Hugo Mãe, “O filho de mil homens”, eu compro e leio o penúltimo, “A máquina de fazer espanhóis”. A austeridade obriga-nos a esperar pelas promoções até nos livros, como é o caso. Poupei mais de cinco euros e, desde há algum tempo, vou fazendo assim, espero um ano ou mais pela baixa do preço ou até por eventual edição de bolso da Bertrand ou BIS da Leya.

 

A máquina de fazer espanhóis” trata, duma forma genial, do mundo dos mais velhos, que “educadamente” chamados idosos, quando confrontados com a separação dos seus, quer por motivo de morte dos seus companheiros ou companheiras, quer porque os descendentes não têm condições de os manter nas suas casas ou, simplesmente, porque se querem ver livre deles.

 

A vida num “lar”,onde se respira velhice temperada de ternura, deceções, casmurrices e teimosias, algum humor, ainda sonhos e alucinações e também, porque faz parte da natureza humana, alguma maldade, ocupam as duzentas e oitenta páginas do romance de Valter Hugo Mãe. Um dia-a-dia que inclui uma convivência de “tu cá, tu lá” com a morte que cumpre sempre aquela parte mais obrigatória da vida – o seu fim!

 

Aproveite as promoções e não deixe de ler esta obra. Valter Hugo continua a ser fiel a Vila do Conde de onde só sai quando é mesmo obrigado. Este romance e toda a obra do autor, tem a chancela “Alfaguara”. Esta edição é da “Objectiva” e a primeira de Fevereiro de 2010.

 

Silvestre Félix

 

(Gravura: Capa do Livro)

publicado por voltadoduche às 15:56

11
Out 11

“Enquanto Salazar Dormia…” não se fez muita coisa que ele não soubesse. O ditador tinha, por sua conta, muitos olhos e ouvidos que não deixavam que se passasse nada sem que ele viesse a saber – obra de Domingos Amaral, publicado a primeira vez em 2006, retrata bem o que era Portugal e, muito particularmente, Lisboa, durante a Segunda Guerra Mundial. À Capital portuguesa chegam refugiados aos milhares. A cidade transforma-se, dum momento para o outro, no porto seguro de Judeus, homens de dinheiro, atores e atrizes e, especialmente, os espiões mais valiosos dos países beligerantes. De todos, a maioria passava por Lisboa que servia de ponto de trânsito para viagens mais longas, quase sempre para o outro lado do Atlântico. Os espiões vieram e ficaram. O livro de Domingos Amaral trata exatamente destes, dos espiões.

 

Salazar, para garantir que se sairia bem, independentemente de quem ganhasse a guerra, tolerou estes ativos, mas, a dada altura pôs, descaradamente, a PVDE a trabalhar para os serviços secretos alemães. Mesmo assim, quando confrontado com os protestos ingleses, teve sempre que ceder.

 

A narrativa é entusiasmante e muito bem entrançada entre os interesses da espionagem e dos amores e desamores do herói da história que, 50 anos depois e já muito velho regressa a Lisboa para assistir ao casamento do neto, ouvinte predileto das suas aventuras.

 

Domingos Freitas do Amaral nasceu em 1967 na cidade de Lisboa, é escritor, jornalista e diretor da revista GQ.

 

“Enquanto Salazar Dormia…” foi publicado pela “Casa das Letras” em 2006 e em 1ª edição da BIS (bolso) em Julho de 2010.

 

Silvestre Félix

 

(Gravura: Capa do Livro do site do autor)

publicado por voltadoduche às 16:40

04
Out 11

Mais do que a história ficcionada de parte da emocionante vida de Antónia Adelaide Ferreira, atravessada pela tragédia da destruição das vinhas do Douro através da praga da filoxera, “A Fúria das Vinhas”, espelha com singular sabedoria as contradições e fragilidades vividas no nosso País no epílogo da monarquia.

 

Francisco Moita Flores, autor de qualidade comprovada, já teve uma versão adaptada desta história transmitida em série televisiva com o título de “Ferreirinha”, nome pelo qual era conhecida na Região e no País, D. Antónia.

 

O Autor narra duma forma arrebatadora as vivências das gentes daquela parcela importante de Portugal numa altura em que, parecido com os tempos atuais, dependíamos do estrangeiro para sobreviver e que, ao mesmo tempo, os que trabalhavam, como acontecia com a “Ferreirinha”, tinham que aturar os desmandos e as incúrias dos que detinham o poder político.

 

Fazendo jus à sua herança profissional, Francisco Moita Flores, entrelaça nas vitórias e derrotas da vida de D. Antónia, Vespúcio Ortigão, detective e protegido da “Ferreirinha”, que persegue um assassino em série pelos carreiros e azinhagas do medo das crenças e superstições, comuns naquela época. Pelas aventuras e desventuras de Vespúcio, o autor transmite-nos quanto os portugueses pré-republicanos temiam a Deus e ao diabo e como a “santa (??) inquisição” ainda moldava a mente dos nossos antepassados de há 125 ou 130 anos.

 

Francisco Moita Flores, conhecido de todos os portugueses, é hoje Presidente da Câmara Municipal de Santarém e autor de várias obras em livro e televisão.

 

1º edição “Casa das Letras” em 2007 e 1ª edição BIS (bolso) da Leya, SA. Esta, edição bastante económica que adquiri.

 

Silvestre Félix


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