A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

10
Jul 09

 

A 8 de Julho de 1497, fez agora 512 anos, Vasco da Gama e mais 170 homens, em 3 naus e um navio de mantimentos, a mando de D. Manuel I, saíram a barra do Tejo com destino à Índia. Desta vez era mesmo para chegar à verdadeira Índia.
É que, 5 anos antes, Cristóvão Colombo embarcou por conta dos Reis Católicos com destino à Índia, mas, em vez disso, chegou, ao que viria a chamar-se América. Na época, essas terras ficaram conhecidas por Índias Ocidentais. Daí os povos americanos passarem a ser conhecidos por Índios. Como hoje já se vai sabendo, tudo não passou de um acordo com D. João II de Portugal que, sabendo já da existência de terra firme em linha recta para ocidente, à partida da ilha de Santiago em Cabo Verde, pelas viagens arrojadas de Corte-Real e João Coelho. D. João II conseguia assim, jogar em dois tabuleiros. Alinhava nesta manobra de diversão e guardava o segredo q.b., como chegar à verdadeira Índia por mar, tendo como referência lendária o “Reino do Preste João” com o ponto de costa oriental de África, que tudo leva a querer, seria Melinde. Daqui até Calecute, era um pulo em linha recta. Por outro lado, mantinha o acordo com Colombo que, mais tarde ou mais cedo, havia de dar os seus frutos.
D. João II morreu. Tudo leva a crer que assassinado por envenenamento. Por causa do inesperado levou com ele muitos segredos. Sucedeu-lhe D. Manuel I e a empresa para descoberta do “caminho marítimo para a Índia”, continuou na ordem do dia. A sociedade portuguesa não estava unida sobre esta empreitada, porque já naquele tempo havia os velhos e velhas do Restelo. Mas os progressistas (à época) ganharam, e lá foi Vasco da Gama para a Índia. Até ao Cabo da Boa Esperança tudo já era conhecido, mas, daí para a frente, era tudo novo. A 14 de Abril de 1498 estavam em Melinde, na costa do actual Quénia, depois da subida desde a Baía de S. Brás na actual África do Sul, passando por Moçambique onde a armada se deteve muitos dias. Os povos locais eram amistosos, e Vasco da Gama teve ocasião de reparar e reorganizar a armada em estadias amigáveis, enquanto aguardava por ventos favoráveis. Quanto mais para cima, e principalmente depois da Ilha de Moçambique, os locais eram convertidos ao Islão e, em Mombaça, as coisas não correram lá muito bem.
Chegados a Melinde, e de lá saindo em 24 de Abril, navegando em linha recta para nordeste, em menos de um mês estavam a aportar a Calecute, na costa ocidental da Índia.
O grande negócio das cidades mediterrânicas de Veneza e Génova, estava, a partir de agora, desfeito. Lisboa passaria a ser a grande placa giratória do comércio das especiarias do oriente. Tudo passa por Lisboa. Os produtos que chegam e os que embarcam para o resto da Europa. Era a época de ouro de Portugal.
Infelizmente, alguns anos depois, empurrado por um capricho de paixão assolapada, D. Manuel fez a asneira que os de Castela e Aragão já haviam feito, expulsou os Judeus do reino. Era grande a importância que os Judeus tinham na organização da sociedade a todos os níveis, desde a organização dos serviços da própria coroa, as finanças, o comércio, as artes e os ofícios passando até pela preparação da emergente marinha real. Com a sua falta e sem alternativas, começou, a pouco e pouco, o declínio do País em muitas vertentes que, tenho a impressão, nunca mais recuperou.
Esta viagem iniciada neste dia 8 de Julho de há 512 anos, é que deu dimensão ao nosso império do oriente. Seria a partir da costa do Malabar que os navegadores e conquistadores portugueses, com destaque para Afonso de Albuquerque, o “Leão dos Mares da Ásia” como era conhecido, chegaram a centenas, senão milhares de ilhas da actual Indonésia e Tailândia, a Timor, à Austrália, a Macau na China, ao Japão, Malaca, actual Malásia, Ceilão actual Siry Lanka, todas as praças da península arábica do golfo pérsico e costa da Pérsia, toda a costa oriental de África incluindo Madagascar.
SBF
(Dicas: Afonso de Albuquerque de Geneviève Bouchon; O Segredo da Rainha Velha de Fina D'Armada e Wikipédia)
(Fotos: Em cima - Monumento descobrimentos em Belém, Lisboa; Ao meio - Desembarque de Vasco da Gama; Em baixo: Império Português no século XVI - Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 00:39

26
Jun 09

 

Em 24 de Junho de 1128, já lá vão 882 anos, estiveram dos lados opostos da batalha, chamada de S. Mamede (em Guimarães), O Príncipe D. Afonso, futuro Rei D. Afonso Henriques, e sua Mãe D. Teresa e seu Padrasto, conde Galego, Fernão Peres de trava.
D. Afonso Henriques saiu vencedor e, segundo as versões mais antigas, encarcerou a Mãe, D. Teresa, a ferros, num castelo do Minho que alguns diziam ter sido Póvoa do Lanhoso. Existem entretanto outras opiniões mais recentes, que dão conta, da expulsão do Condado portucalense para a Galiza, do Conde Fernão Peres de Trava e de D. Teresa, que recolheria a um convento.
A data da batalha, tudo indica que tenha sido mesmo a 24 de Junho, quanto ao local exacto e à forma como a batalha decorreu, e o que foi feito dos vencidos, aí é que, ao longo do tempo, foram aparecendo várias versões.
O essencial é que, com a vitória em S. Mamede e o consequente reconhecimento de D. Afonso Henriques, por parte dos barões portucalenses, como chefe incontestado do Condado portucalense, ficam criadas as condições para a ascenção à independência e, duma vez por todas, o Condado deixar de fazer parte do reino de Leão e Castela.
O tempo que se seguiu consolidou, primeiro; a libertação da hegemonia Galega, e mais tarde, com mais calma e muita sabedoria de D. Afonso Henriques e seus aliados, a independência total e definitiva em relação a Leão e Castela, e o reconhecimento de D. Afonso Henriques como primeiro Rei de Portugal, na conferência de Zamora no Reino de Leão, a 4 e 5 de Outubro de 1143.
A generalidade dos historiadores considera, que o resultado da batalha de S. Mamede, foi o início do caminho que levaria à autonomia do Condado e posteriori construção do Reino de Portugal.
Este dia 24 de Junho é o feriado Municipal de Guimarães e, especialmente este ano, que se comemora os 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques, os festejos são de arromba.   
SBF
(Dicas: Alexandre Herculano – História de Portugal, Diogo Freitas do Amaral – D. Afonso Henriques)
(Foto: Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 01:10

29
Mai 09

 

Há exactamente 653 de tempo contado em anos, em 28 de Maio de 1357, na cidade de Lisboa, morria o sétimo rei de Portugal e dos Algarves, D. Afonso IV cognominado “O Bravo”.
De reinado bastante longo, trinta e dois de tempo contado em anos, entre 1325 e 1357, de poucas linhas seria composta a biografia de “O Bravo”, não fora ter sido filho de D. Dinis e de Isabel de Aragão, conhecida para a história por Rainha Santa Isabel porque, pelas beiras da Quinta das Lágrimas em Coimbra, estando certo dia caminhando, com o colo cheio de pães para os pobres, e, em contra-caminho, à vista, El-Rei D. Dinis seu marido, que não ia lá muito à “bola” com a caridade da mulher Rainha, assistiu-se mais ou menos a este diálogo, em cima do embaraço natural da Santa:
 D. Dinis: Que levais no teu regaço senhora?
Rainha Santa Isabel: (Abrindo o regaço e mostrando o seu conteúdo) São rosas Senhor.
(E diz a história, que estavam lá rosas onde antes estavam pães e as rosas viraram milagre e a Rainha virou Santa.)
Pegando no fio da história, e esclarecida a ascendência, passamos à descendência do sétimo que era pai de D. Pedro I, que por sua vez, também deve mais a sua notoriedade ao facto de ter protagonizado o amante fervoroso de Inês de Castro, do que pelos feitos em prol do seu reino.
De biografias falando, e eu li mais do que uma, e também histórias da História desta época, a de D. Afonso IV, ocupa-se, na maioria das suas linhas, com as muito azedas zangas com o seu filho e pretendente ao trono, D. Pedro. Entre muitas intrigas e mesquinhices, perseguiu o filho e D. Inês de Castro, de tal forma que mandou assassiná-la no seu retiro em Coimbra. Se diz também, em muitos manuais da história, que o rei não conseguiu sarar o remorso, e por isso, dois em anos contados depois, morreu sem descanso e sem paz.
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito;
(Luís de Camões, Os Lusíadas – 1572)
Bom, mas estou a escrever sobre o sétimo, porque foi neste dia que ele morreu e é essa a efeméride.
O cognome de “O Bravo” vem-lhe da sua bravura no comando das suas tropas, indo sempre para a frente de combate incitando com o seu exemplo. Do ponto de vista económico deu um grande impulso à marinha, criando a primeira marinha mercante portuguesa e as primeiras armadas que se aventuraram, na descoberta, pela costa de África. Foi no seu reinado que as Canárias foram descobertas.
O seu túmulo está na Sé de Lisboa.
SBF
publicado por voltadoduche às 00:20

Novembro 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
26
27
28

29


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO