A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

22
Mai 11

As eleições regionais e autárquicas realizadas hoje em Espanha tiveram uma abstenção superior a 50%. A fraca adesão é demonstrativo do desânimo que corre pelos nossos vizinhos tal como acontece em Portugal. Muito provavelmente, a taxa de abstenção das próximas legislativas a 5 de Junho, não vai ser menor que a dos espanhóis.

 

A outra notícia interessante que nos chega de Madrid é que a mobilização iniciada pelo Movimento 15 de Maio que, tudo leva a crer, vai manter-se por mais uma semana. Embora formalmente ilegais, as concentrações têm-se mantido sem qualquer tipo de repressão. Os manifestantes exigem mudanças institucionais no sistema político em Espanha e protestam pela degradação das condições de vida e pela ausência de medidas que contrariem as elevadas taxas de desemprego.

 

Esta organização conhecida por M15 é dinamizada por gente muito jovem e, pelo que se diz, encaixa noutros movimentos que vão aparecendo em vários países europeus como, em Portugal, a nossa “geração à rasca”.

 

Tanto os partidos políticos existentes como as estruturas sindicais clássicas deixaram de dar resposta às necessidades dos jovens que saem qualificados das Universidades e, perante as dificuldades, aguçam o engenho e, eles próprios, organizam-se autonomamente. É uma nova realidade para que os poderes instituídos nos vários países da Europa não estavam preparados e, muito provavelmente, não vão ter tempo de arranjar defesas.

 

Por isso cuidem-se!

 

As “gerações à rasca” estão aí e a mexer!

 

Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 21:59

21
Mai 11

O Expresso noticia hoje que o Embaixador da Alemanha foi chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros onde lhe foi entregue dossier completo sobre legislação e realidade laboral em Portugal. O conteúdo do documento contraria as declarações que a Chanceler Alemã proferiu num comício há uns dias referindo-se à idade da reforma e às férias em Portugal.

 

Diz o Expresso que o Governo se manifestou desgostoso e surpreendido com as afirmações de Angela Merkel. Gostava de ter visto o Primeiro-Ministro reagir com indignação às palavras da senhora de Berlim.

 

Bom, a confirmar-se a notícia, já é alguma coisa mas, na minha opinião, pouco. É verdade que a chamada do Embaixador tem algum significado mas, para os trabalhadores portugueses não é suficiente.

 

Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 19:00

20
Mai 11

A Chanceler Alemã continua sem resposta à altura, sobre os disparates que disse na passada terça-feira relativamente a férias e reformas dos trabalhadores portugueses.

 

Dos políticos com assento parlamentar, à exceção dos líderes do BE e PCP, mais nenhum teve “tintins” para repor a verdade. De Sócrates a Paulo Portas, passando por Pedro Passos Coelho, todos evitaram falar do assunto.

 

A diplomacia é uma prática usada nas relações sérias entre Países. O chamado “fair-play” é pedido para defrontar o adversário com lealdade.

 

O caso da senhora de Berlim, não encaixa em nenhuma destas práticas ou designações. Angela Merkel desconhece o que se passa em Portugal e, antes de dizer o que disse, devia informar-se, ou então agiu de má fé e, se assim for, é bem pior.

 

O facto é que aconteceu e, por isso, a senhora devia ter sido desmentida ou corrigida pelo Primeiro-Ministro e, pelo menos, pelo seu correligionário no PPE e líder do maior partido de oposição em Portugal, Pedro Passos Coelho. Essas diligências deviam ser públicas de forma que os trabalhadores portugueses ofendidos sentissem reposição de alguma justiça.

 

Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 17:04

19
Mai 11

Pedro Passos Coelho diz que só fará parte do futuro Governo se o PSD ganhar as eleições, exclui portanto, fazer qualquer acordo com o PS.

 

Paulo portas diz que, na eventualidade do PS ganhar as eleições em minoria e havendo acordo parlamentar de maioria entre o PSD e o CDS, o Presidente da República deve chamar estes para formar governo ignorando o PS.

 

Ou seja, acreditando nestas boas vontades todas e no respeito pela vontade expressa nas urnas, o PS só será governo se tiver maioria absoluta.

 

Tudo pela felicidade e contentamento do povo português (????????)

 

Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 22:48

18
Mai 11

À Senhora Merkel, foge-lhe sempre o pé para o “chinelo”!

 

Refere-se a Portugal, Espanha e Grécia, a propósito de férias e reformas, como se tivesse a falar de extraterrestres. São só três países, parceiros da Alemanha numa organização que se diz chamar “União” (?).

 

Angela Merkel demonstrou que desconhece a realidade, pelo menos em Portugal.

 

Com a última reforma da Segurança Social no nosso País em 2007, a idade de aposentação, varia conforme os anos da “esperança de vida” partindo dos 65 anos. Com esta fórmula, muito provavelmente vamos chegar primeiro do que os alemães aos 67 anos. Do ponto de vista estatístico, os trabalhadores portugueses são os que trabalham mais horas anuais logo a seguir aos ingleses. Relativamente às férias, a maioria dos que trabalham no privado em Portugal, gozam menos dias que os alemães.

 

Se as contas fossem feitas com justiça para quem trabalha, e aproveitando os argumentos da Chanceler, os trabalhadores em Portugal deveriam ganhar, pelo menos, o mesmo que ganham na Alemanha.

 

Ou seja, a senhora não só é ignorante e descuidada com o trabalho de casa, como roça tiques de xenofobia quando “marca” pela negativa parte significativa da população da Europa que tem contribuído decisivamente para o crescimento da Alemanha como País. Ainda por cima, no meio da crise das dívidas, os bancos alemães são os maiores usurários antes e depois dos resgates.

 

A senhora precisa que alguém lhe responda à letra!

 

Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 16:20

17
Mai 11

O CDS de Paulo Portas está, cada vez mais, naquela posição de “fiel da balança”, considerando os três partidos que assinaram o acordo com a Troika.

 

Algumas vozes do PSD têm reagido aos resultados do CDS nas sondagens, duma maneira muito pouco simpática para quem, quase de certeza, precisará de Paulo Portas na formação de Governo maioritário se, como tudo leva a crer, tiver o maior número de votos.

 

Em qualquer dos casos, ao líder do CDS, ainda ninguém ouviu dizer duma forma clara, que não alinhará com o PS se for este a ganhar as eleições. Ainda hoje, em Portalegre, sobre a formação do Governo depois das eleições, limitou-se a dizer: «Só digo uma coisa: não vai haver maioria absoluta de um só partido. Por isso o CDS é determinante e tem de ser forte para que haja uma maioria de mudança e para que a mudança seja forte».

 

Seja como for, e uma vez chegados a esta situação sem haver qualquer tipo de alternativa, melhor será que, depois de 5 de Junho haja condições para cumprirmos os compromissos e iniciarmos uma outra fase menos angustiante para os portugueses. Pena é que, com estes políticos, seja muito difícil acreditar que isso seja possível.

 

Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 16:29
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15
Mai 11

 

A leitura compulsiva, página a página, não esgota a “adrenalina” provocada pela expectativa do parágrafo seguinte.

 

“O Último Papa”, mistura do real e da ficção, para além de nos envolver na trama conspirativa imaginada, leva-nos ao convívio com factos e personagens históricas ainda muito presentes para a minha geração.

 

A escrita de Luís Miguel Rocha agrada-me também porque em plena narrativa não abre ásperas para comentários marginais ou acrescentar imagens do futuro. Esta opção aproxima-nos do pensamento do autor.

 

O acontecimento histórico central da obra, a súbita morte de João Paulo I (Albino Luciani), é soberbamente tratado. Na época, para o mundo, encarado como fatalidade terrena para a Igreja Católica, viria, com o tempo, a traduzir-se num mistério bem guardado.

 

A envolvente portuguesa não é descabida porque desde os primórdios da nacionalidade existem ligações muito fortes do Vaticano ao nosso País. Não esqueçamos o nosso passado de evangelização pelo mundo ao serviço da Igreja e sempre com o patrocínio dos Papas.

 

Luís Miguel Rocha nasceu no Porto em 1976. A edição é das “Edições saída de emergência” e a primeira foi em 2006. Tem uma edição de “bolso” em 2009 que é bastante mais barata.

 

Silvestre Félix

 

(Imagem: Capa do livro do site da Editora)

publicado por voltadoduche às 11:20

13
Mai 11

Depois da conversa desta noite na SIC entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, fica claro que ambos desejam somar (PSD+CDS) o suficiente para formarem Governo maioritário.

 

Realmente assistimos a uma mera cavaqueira em que nenhum deles explica como na prática governará, se for esse o caso. Todos evitam, Sócrates também, dizer aos portugueses como vão chegar aos números acordados com a Troika.

 

No caso de Pedro Passos Coelho e Paulo portas, por maioria de razão, deviam ser muito mais explícitos nas propostas. Estão nitidamente na encolha. Com prestações destas, principalmente de Pedro Passos Coelho e com todas as declarações de outros, com desmentidos e correções sucessivas, os eleitores sentem insegurança com uma eventual vitória do PSD e, por isso, espetacularmente, na sondagem da TVI-Público de hoje, colocam o PS à frente do PSD com uma diferença de 3 pontos.

 

Muita coisa vai acontecer ainda até 5 de Junho mas, pelo caminho que as coisas estão a levar, a luta vai ser renhida até ao fim.

 

Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 22:46

12
Mai 11

O que aconteceu ontem em Lorca, na província espanhola de Múrcia, deve alertar-nos para os perigos que corremos neste retângulo à beira mar plantado.

 

Todos sabemos que boa parte do território está na rota de possíveis sismos e que, mais tarde ou mais cedo, acontecerá o inevitável.

 

Este e outros parecidos, deviam ser os motivos de debates, estudos, discussões, investimentos e falta de sono de alguns dos nossos políticos. Em vez disso, preferem alimentar polémicas de “lana-caprina” que só provocam mais preocupações e ralações aos portugueses.

 

Todos os dias arranjam ou inventam mais uma questão que sustentará os momentos noticiosos da nossa comunicação social, com destaque para as televisões, durante as 24 horas. Quando a “matéria”, como eles gostam de dizer, começa a perder o vigor, tiram outro assunto da “cartola”e lá temos mais um dia de “troca de galhardetes”, com análises e comentários dos que vegetam para isso mesmo.

 

A história da “Taxa Social Única” (TSU), hoje, ainda dá audiência. Estamos todos fartos de saber que, quem quer que seja o próximo Governo, vai ter que considerar esse milagre – baixar um imposto (TSU), quando a ordem é aumentar. Todos se comprometeram com o mesmo documento, o PS, o PSD e o CDS. Claro que, o que lá estiver no próximo Verão, vai ter que compensar a baixa da (TSU) com qualquer outro aumento. Ambos, o Sócrates e o Pedro Passos Coelho, como já vem sendo costume, estão a jogar, mas muito sujo.

 

Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 16:54
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11
Mai 11

«Os povos europeus já se esqueceram do que foram os anos trágicos de 1939-45?»

 

Pergunta Mário Soares na sua crónica do Diário de Notícias. Eu acho que sim e, essa amnésia, muito tem contribuído para a série de asneiras que os atuais dirigentes europeus têm protagonizado.

 

Realmente, boa parte deles ainda nem nascidos eram, portanto a guerra não lhes diz nada e, como de história também são fraquinhos, também desconhecem o facto de uma das principais motivações dos pais da União Europeia, ser a manutenção da paz no continente. O estabelecimento de tratados económicos e políticos entre as nações europeias eliminava, só por si, muitos dos pretextos antes utilizados para a eclodirem conflitos armados. Ainda com os escombros da Segunda Guerra Mundial bem à vista, os democratas e progressistas dirigentes, encetaram um caminho que sabiam difícil mas possível se assente em políticas que beneficiassem, acima de tudo, o bem-estar dos cidadãos.

 

Os Estados desenvolveram-se e evoluíram solidários, para uma Europa em que as preocupações sociais estavam em primeiro lugar. Entretanto as gerações de líderes foi mudando e, ao mesmo tempo, as políticas conservadoras, liberais e neo-liberais, foram tomando o poder em vários países. Esta tendência foi completada com os regimes vigentes nos últimos países a aderirem à UE. Quase todos libertados da esfera da antiga União Soviética com a queda do Muro de Berlim, têm no poder, na sua maioria, partidos e líderes conservadores e neo-liberais.

 

Os mandantes da União (?) Europeia, hoje, só têm preocupações economicistas. A Europa abandonou a matriz de cidadania europeia e a solidariedade entre países acabou. É tanto assim, que já se põe abertamente em causa uma das maiores conquistas dos povos europeus – a liberdade de circulação. A crescente influência, nalguns países e nas instituições da União (?), de partidos, políticos e governos adeptos dum conservadorismo xenófobo, vai marcando a triste realidade deste velho continente que, até a algum tempo atrás, era exemplo de progresso económico assente num projeto socialmente avançado.

 

Ao mesmo tempo, cegos pela caminhada ideológica sem freio, estes ultra-liberais vão-se deixando envolver nos tentáculos do grande polvo que tudo vai dominando. A crise financeira, económica e, ultimamente, a das dívidas soberanas, que correspondem à estratégica de ganância do poder financeiro especulativo, vai acabar por devorar a Europa. Pensam, alguns países e “líderes” europeus, que, com os trocos que os seus bancos vão ganhando à custa dos mais fracos, estão a salvo do polvo, mas estão enganados. As agências de rating não tardarão a fazer o seu trabalho, e, se deixarem que se chegue aí, está tudo acabado, a União (?) Europeia chega ao fim.

 

Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 11:50
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