A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

04
Out 12

 

Há trinta anos, em Outubro de 1982, comecei a preparar a minha primeira viagem a África. A oportunidade surgiu e, tal como agora acontece, o nosso País voltava a comer o pão que o diabo já tinha amassado de outras vezes com crise de dívida soberana.

 

No início de Novembro lá fui e, desde que aterrei essa primeira vez no aeroporto de Mavalane, na cidade Capital de Moçambique, Maputo, percebi porque toda a gente que já tinha estado em África me dizia maravilhas daquela Terra.

 

A designação de BOMBORDO que os nossos navegadores davam à parte das Naus e Caravelas do lado da costa africana tem, por maioria de razão, um duplo sentido; Porque era a costa mas, acima de tudo, porque era África – A Mãe África!


Lá morei em Maputo com a família talvez os melhores dois anos da minha vida e, depois de regressar, durante vinte anos, lá voltei uma ou duas vezes por ano assim como a Angola, Cabo Verde, Guiné e outros.   

 

Hoje, a África Lusófona e duma maneira muito especial, Moçambique, volta a ser a melhor opção para a juventude portuguesa renovar a esperança.

 

Moçambique e os meus amigos moçambicanos estão sempre comigo mas hoje ainda mais. Comemoram-se os vinte anos da assinatura dos acordos de Paz que entregaram o futuro democrático aos moçambicanos. Acontecimento decisivo para, primeiro, sair da pobreza, tomando depois o caminho do desenvolvimento para proporcionar a felicidade e o bem estar ao povo moçambicano.

  

Que a brisa do Canal leve o melhor para aquela maravilhosa Terra!   


Silvestre Félix


(Foto: Da net - Maputo visto da Catembe)

publicado por voltadoduche às 17:28

12
Set 12

 

 

A história contemporânea de Moçambique foi escrita com muito sangue de luta pela liberdade e dignidade dum povo de incomensurável caráter. O fim da colonização portuguesa e a chegada à independência, não trouxe de imediato a tão esperada paz e o tão desejado desenvolvimento.

 

Lília Momplé, em “Neighbours” (palavra inglesa que significa “vizinhos”), retrata bem a conturbada vida moçambicana pós-independência. A maior ameaça vinha exatamente da “vizinha” África do Sul do apartheid que, entretanto tinha acolhido alguns colonos portugueses inconformados com a libertação moçambicana.

 

Lília, a partir duma fórmula simples, baseada em acontecimentos reais e com uma narrativa muito direta, conta-nos o drama humano vivido pelo povo moçambicano naqueles anos a seguir à independência.

 

Lília Momplé nasceu em 1935, na Ilha de Moçambique. Tem tido uma intensa atividade dentro e fora do seu País, chegou a ser membro do Conselho Executivo da UNESCO em Paris e é membro de honra da Associação dos Escritores Moçambicanos, onde já exerceu os cargos de Presidente e Secretária-Geral.

 

É uma edição da Porto Editora de Julho de 2012.

 

Silvestre Félix


(Gravura: Capa do livro do site da editora)

publicado por voltadoduche às 13:14

09
Abr 12

Finalmente a questão de Cahora Bassa fica resolvida. Não é exagero dizer-se que foi encerrado o último capítulo da descolonização portuguesa.

 

Moçambique, com a posse definitiva da grande hidroelétrica, consolida-se como potência regional de energia limpa e mais preparado para o seu desenvolvimento.

 

Moçambique vai ser um grande País.


Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 22:54

19
Out 10

 

Samora Machel morreu ainda novo quando regressava de avião a Maputo. O avião despenhou-se nos Montes Libombos, já muito perto da pista de Mavalane, mas ainda do lado da África do Sul. Nunca houve certezas sobre as causas do desastre. Acidente ou atentado? Há versões para as duas causas.

 

Samora tinha 53 anos e, em circunstâncias normais, ainda estaria muito mais tempo à frente dos destinos de Moçambique.

 

Tive oportunidade de ouvir Samora Machel ao vivo mais de uma vez. Os seus discursos para o povo eram intermináveis. Falava de improviso e, muitas vezes, repetia a mesma ideia, em diferentes dialetos. O gesticular, os movimentos com o corpo, com a cabeça e até alguns passos de dança, saíam igualmente com a naturalidade de quem está com os seus.

 

Ninguém poderá saber o que seria Moçambique hoje, se Samora não tivesse morrido tão cedo. Nem vale a pela especular sobre esta dúvida. É um País com escassos recursos minerais, ao contrário de muitos outros países africanos, e, por isso, muito dependente, do ponto de vista económico e financeiro.

 

Samora Machel, líder revolucionário, está na história de Moçambique como “Pai da Nação”. Foi com ele na liderança da Frelimo, que o País ascendeu à independência em 25 de Junho de 1975.

 

Só pisei terra moçambicana em 1982 e, durante 18 anos, muitas vezes lá voltei. Sempre que cheguei a Maputo, senti que estava outra vez em casa. Tenho por lá muitos amigos e, se tornar a ter a sorte de lá voltar, chegarei novamente a casa!

 

SBF

 

(Foto: Wikipédia)

publicado por voltadoduche às 20:02

01
Set 10

 

Hoje, as notícias que me chegam de Maputo, ao contrário do habitual, não são nada boas! Estou preocupado como estarão todos os que gostam de Moçambique e dos moçambicanos. A bonança virá e, em paz, o Povo moçambicano encontrará o caminho certo para o progresso e nível de vida aceitável!

 

Li, no último fim-de-semana, o livro do moçambicano Mia Couto, “Pensageiro frequente”.

 

Não é um romance. Trata-se de uma compilação de crónicas escritas por Mia Couto, muito “saborosas”. São alguns textos publicados na revista das Linhas Aéreas de Moçambique, “a Índico”, desde 1999.

 

Considerando as circunstâncias e as características do leitor, os textos não têm nada a ver com a escrita dos romances de Mia Couto, mas, são 130 páginas muito agradáveis que nos ensinam mais alguma coisa sobre o País maravilhoso que é Moçambique.

 

Não deixem de ler este livro. Eu ainda tive uma prenda, consegui comprar na FNAC um dos exemplares autografados pelo autor.

 

Edição da “Caminho” em Maio de 2010.

 

Silvestre Félix

 

(Gravura: Capa do livro do site da editora)

publicado por voltadoduche às 22:57

07
Mar 10

Porque o Primeiro-Ministro se deslocou esta semana a Moçambique em visita oficial, lá tivemos direito a algumas notícias daquele PALOP e até a transmissão direta da RTP, hoje, dia do seu 53º aniversário.
Cai a nostalgia, (CLICAR) e lembro-me do tempo que lá passei, das inúmeras viagens que lá fiz, e, principalmente, dos amigos que lá tenho.
Fico muito feliz com as excelentes relações que existem a nível dos dois estados, reforçados agora com mais alguns acordos.
Fico feliz, porque sei que a amizade dos dois povos é verdadeira.
SBF
(Foto: Vista aérea de Maputo Wikipédia – Outubro de 2006)
publicado por voltadoduche às 22:39

26
Out 09

Será pela distância física entre Portugal e Moçambique, que a comunicação social portuguesa tem ignorado o processo eleitoral Moçambicano que culmina na próxima 4ª Feira, com a ida às urnas para eleições Presidenciais, Legislativas e Provinciais?
Bem sei que, quando as coisas correm bem, ou pelo menos, normalmente, o assunto pode não ser apelativo para os “média”, as “parvoeiras” do Saramago, Berlusconi, Sarkozy, ou do Alberto João, têm muito mais interesse…, mas que diabo, o que está em causa é um processo eleitoral num País africano do universo da Lusofonia, irmão e nosso parceiro.
A única notícia de Moçambique que vi nestes últimos dias com algum destaque, foi uma “Grande Reportagem” da Cândida Pinto, transmitida ontem na SIC. Tratava dos “órfãos da SIDA”. Trabalho com muito interesse, e que mostra duma forma clara, como por vezes, tão pouco, pode ser muito, para uma tão grande quantidade de seres humanos que vivem no limite da vida. Como os nossos problemas ficam pequeninos perante tamanhas dificuldades e como as nossas crianças se mantêm bebés por tanto tempo, comparando com as crianças da reportagem, que ficam “adultas” tão rapidamente.
Na presença de tão trágica realidade, em que o essencial se resume a uma refeição (vegetais+coco+ às vezes, arroz) diária e meia carcaça, quando se pergunta o que faz falta, quase sempre se ouve como resposta – “Está tudo bem!”
A SIDA em África, e particularmente em Moçambique, tem feito uma razia enorme naquela faixa - etária entre os 18 e 30 anos, em que as famílias são compostas por muitos filhos ainda pequenos. O resultado são milhões de crianças órfãs, que a juntar a essa condição, vêm as dificuldades comuns a toda a sociedade.
Se por absurdo, eu tivesse que escolher outro País para viver, sem ser Portugal, seria Moçambique. Os meus amigos Moçambicanos sabem que é verdade.
SBF
publicado por voltadoduche às 13:50

25
Jun 09

A direcção da Costa do Sol e a areia a desaparecer na ondulação. O Grego e os camarões. O areal fica coberto e o sol do Índico ainda. Triunfo se dizia e autódromo se fazia, e agora no bazar do peixe se vende. Ainda com os símios atentos à guloseima, lá pela frente os prédios da Polana e da Julius Nyerere alinhadinhos até à vermelha.
À porta medalhado e o Polana abençoado. A baía lhe deixa a brisa pelas bandas da piscina e dos aposentos do mar. E o chá das cinco com os bolinhos na bandeja cromada e levada com luva branca. Lá em cima, na esquina com a 24 de Julho, o Piri Piri do frango e camarão da esplanada gostosa e passeio movimentado.
De Eduardo Mondlande como grande o nome, só podia ser a avenida. Na escola o Bruno aprendeu a ler, a cantar e a saber quem era “Vô Kaunda” e “Papá Samora”. Muitas faixas de rodagem desde a Julius Nyerere até Alto Maé. São muitos quilómetros. Na esquina noroeste com a Vladimiro Lenine, em oito pisos acima de ascensor sempre em baixo, o Ferraz, a Gilda e a Virgínia, a tomarem conta e que saudades.
Paredes com o Império e o Scala do outro lado o fonte azul parceiro da velha fortaleza e o pão quentinho na de Timor Leste que muitos anos depois havia de festejar a libertação. No quarenta e seis a moçambicana de cargas e o Reynolds e o Rafique e o Amaral e o Jaime e o Eugénio e o P Lobo e a Conceição e outros e mais outros…
Os aromas das especiarias do bazar e o cheiro da madeira do artesanato, e lá debaixo o saco do camarão. Oh Ferraz, o que vai fazer para o almoço? Não tem nada senhor, só camarão. Ok, camarão e batatas? Não tem senhor, só tem farinha milho e frita palito. Ok, é um bom petisco.
25 de Junho de 1975. Passaram 34 anos desde a proclamação da independência de Moçambique. O mundo deu muitas voltas e Moçambique também mudou muito desde essa altura. A minha lembrança mais longínqua, é a que digo em cima, de 1982. A lembrança mais recente é de 2000. 
Que a paz esteja sempre convosco. Os Moçambicanos merecem tudo de bom. Um grande abraço Moçambique e especialmente para os meus amigos. Eles sabem quem são.
Silvestre Félix
SBF
25 de Junho de 2009
(Fotos: Wikipédia - Topo: Vista geral de Maputo desde outra margemda baía - Em baixo: Mapa bandeira)
publicado por voltadoduche às 00:19

23
Mai 09

 

Algumas acácias já em flor, cores múltiplas filtrando os violeta do sol tropical nas bordas do Índico oceano e em cima da calma baía desde a barra do Incomati pela areia da Macaneta até ao carvão da Matola. Depois do nascimento do nazareno, que veneramos como Cristo crucificado no monte das oliveiras lá p’ra terra – santa do médio - oriente, passaram em tempo contado em anos, mil novecentos e oitenta e três a considerar também o calendário do Gregório (papa XIII, acho eu) no dia vinte e três e o mês de Maio das acácias coloridas desde o rio Maputo até ao asfalto do mesmo nome.
Ansiedade e preocupação pela madrugada fora, e a Mãe subiu os oito andares, e a Mãe desceu os oito andares de pé de escada, e a máquina que eleva o corpo, a alma, os sonhos, a felicidade, as compras da cooperativa… deixou o esforço para outro dia, e a Mãe com toda a vontade e força do mundo desceu cada degrau com alegria dobrada. Nem o médico Cubano combinado se descobria para a função de natividade ajudada, e a maternidade da cidade a acolher o meu tesouro que quase estava encontrado.
Menino ou menina?
Naquela terra vermelha, amada pelos de lá e abençoada pelos de cá, ela nasceu com a manhã. E o Bruno e a Isabel e eu lhe pegamos na primeira claridade da vida.
Parabéns Minha Filha!
SBF
publicado por voltadoduche às 17:02

05
Mar 09

 

Ainda com África, mas agora por uma boa razão.
Assinalo com muita satisfação, a chegado do “SAPO” a Moçambique.
É um País extraordinário e os Moçambicanos são porreiros. Digo-o com conhecimento de causa.
O SAPO MZ passou a ser mais uma página de visita diária e tenho-a aconselhado aos meus amigos Moçambicanos.
SBF
publicado por voltadoduche às 16:50

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