A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

08
Mai 11

Sobre um vídeo a propósito das reservas de alguns Finlandeses na participação, no âmbito das obrigações do Eurogrupo e UE, no empréstimo a Portugal, que desde ontem percorre todas as “bandas” largas, estreitas, compridas e curtas e a uma velocidade estonteante, têm surgido as mais variadas e extremadas intervenções e comentários.

 

Há um pressuposto globalmente ignorado nas opiniões prós e contras. Portugal participou, com a parte proporcional, nos empréstimos à Grécia e à Irlanda.

 

O sentimento patriótico não se mede com fita métrica. Nem sempre é fácil afirmar com rigor “matemático” que o fulano é mais patriótico que beltrano. Também neste caso, não é patriótico o que leva o conteúdo do vídeo à letra, nem é anti-patriótico quem o contesta.

 

O que eu acho, é que faz muito bem ao Ego recordarmos alguns valores e acontecimentos da nossa história e também não faz mal que os partilhemos com outros povos, parceiros (?) nesta Europa a um passo de se desmembrar.

 

Em certos meios há a tendência para atribuir o sentimento “patriótico” na escala dos “oitenta” e associando-o ao nacionalismo reacionário, xenófobo, fascista e idólatra. Nada mais errado.

 

Respeitar a nossa história e os seus protagonistas, ter orgulho nas raízes da nossa identidade como povo, reconhecer as qualidades e os defeitos dos nossos antepassados, ter consciência da nossa importância – como povo e nação – na construção do mundo atual, apesar dos aspetos negativos de governação nas últimas décadas, e de, mais uma vez, os mais frágeis sejam quem mais sofre, não abandonarmos o orgulho de sermos quem somos, neste momento, e perante outras nações, se isto é ser patriota, eu sou!

 

Silvestre Félix

publicado por voltadoduche às 22:31

29
Nov 10

 

O que aconteceu a 29 de Novembro de 1807, faz hoje 203 anos, iria condicionar a vida portuguesa pelo século XX fora e, muito provavelmente, alguns dos problemas nos nossos dias, já no século XXI, ainda serão herança desse esvaziar do tesouro nacional.

Há já mais de meio século que tinha acabado o efémero período de faustosa riqueza que o ouro do Brasil tinha proporcionado aos poderosos deste País, como é exemplo o Real Convento de Mafra mandado construir por D. João V. Em 1807, 52 anos depois do terrível acontecimento nacional que foi o terramoto de 1755, Portugal vivia num limbo pobretanas em que só o edificado e as aparências douradas da coroa, destoavam da miséria abundante que se espalhava pelas cidades e pela ruralidade.

Até este dia ventoso de Novembro, o poder era exercido no meio dos disparates proferidos por uma Rainha louca, D. Maria I, por um Príncipe Regente que viria a ser D. João VI, a Consorte D. Carlota Joaquina que, diziam as más (e boas) línguas, encornava o marido a torto e a direito, e, fora do âmbito familiar, pelo domínio militar Inglês muito reforçado pela fúria conquistadora de Napoleão Bonaparte.

O Imperador francês exigia que Portugal encerrasse os portos aos ingleses, D. João dizia “nim” conseguindo enganar durante algum tempo Napoleão, e, no âmbito da aliança Anglo-Portuguesa, ou a seu pretexto, uma armada Inglesa se instalou ao longo da costa e, em Terra, muita infantaria e artilharia se aquartelou.

Foi com o Reino nesta situação e sem ceder às pretensões francesas, que o Imperador, depois de ter posto no “bolso” a grande Espanha, se decidiu pela invasão do minúsculo território de Portugal. Mandou 30 mil homens comandados por Junot, e, na manhã de 29 de Novembro, estava a duas léguas de Lisboa.

 

«As forças de Junot aproximavam-se de fato muito rapidamente da capital, mas continuava a soprar um vento adverso que mantinha a frota ancorada. Os navios portugueses, agora perigosamente sobrelotados, balançavam para um lado e para o outro. Um medo indizível espalhava-se pelo convés das embarcações – o da possibilidade muito real de serem apanhados no porto pelos franceses.»(1)

 

Mas não, isso não aconteceu e…

 

«Na manhã de 29 de Novembro o vento mudou. Às sete da manhã foi dada ordem para levantar âncora. Parara de chover e, com céu limpo, os navios, balanceando, desceram o Tejo até à barra.» (2)

 

E partiram Atlântico abaixo em direção ao Brasil, donde só voltariam 14 anos depois.

 

Para trás ficou um País abandonado, despojado das suas riquezas, descapitalizado e entregue à sua sorte, neste caso, aos franceses e ingleses e, no cais e nas suas proximidades, um rasto de destroços e restos da bagagem real como se de lixeira se tratasse. A biblioteca real da Ajuda composta por sessenta mil volumes ficou espalhada pela lama, caixotes e caixotes de documentos, mapas e outros livros, alguns deles, edições únicas e datados da época das descobertas, coches luxuosos vazios mas alguns ainda cheios de recheios retirados dos palácios.

Claro que, a maior parte das riquezas, incluindo o “Tesouro Real”, com pelo menos metade da moeda em circulação e todo o espólio de diamantes e ouro, não ficaram para trás e viajaram até ao Brasil.

 

Desde este dia, Portugal não voltou a recompor-se mas isso é outra história.

 

SBF

 

(Notas: (1) e (2) Extraído do livro “Império à Deriva” de Patrick Wilchen. Edição da “Civilização”)

(Gravura: Partida da Frota Real. – Wikipédia)


13
Nov 10

 

“Eu, o infante D. Henrique, regedor e governador da Ordem de Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo, duque de Viseu e senhor da Covilhã, faço saber aos que esta carta virem que, esguardando como ao cabo de Sagres vinham e vêm muitas carracas, naus galés e outros navios pousar por não acharem tempo de viagem…”

 

Este texto é o início da carta, de responsabilidade do Infante D. Henrique, feita menos de dois meses antes da sua morte, dando conhecimento da fundação da Vila do Infante, em Sagres.

 

O Infante D. Henrique, de Sagres, ou o Navegador, morreu a 13 de Novembro de 1460, fez hoje 550 anos. Filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, era o terceiro infante da “Ínclita Geração” depois de D. Duarte e de D. Pedro. Foi o grande obreiro das descobertas portuguesas. Instalou-se entre Sagres e Lagos, no Algarve, e daí organizava e comandava a saída das Naus pela costa africana, primeiro para o Mediterrâneo e depois para sul pela costa ocidental, e também para o mar largo na descoberta do Porto Santo e da Madeira em 1418 com João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira e a colonização dos Açores em 1445 com Gonçalo Velho Cabral. Quando morre, em 1460, as caravelas Lusas, na costa africana, já tinham chegado à entrada do Golfo da Guiné, para ocidente com Diogo Gomes perto da Terra Nova em 1542 e, pelo mesmo navegador e António da Nola, exatamente em 1460, à Ilha de Santiago em Cabo Verde.

 

A designação de ”Ínclita Geração”, aparece nos “Lusíadas” de Luís de Camões, assim:

 

“Não consentiu a morte tantos anos / Que de Herói tão ditoso se lograsse / Portugal, mas os coros soberanos / Do Céu supremo quis que povoasse. / Mas para defensão dos Lusitanos / Deixou, quem o levou quem governasse, / E aumentasse a terra mais que dantes, / Ínclita geração, altos Infantes.”

A cidade de Lagos lembrou, com festividades, o Infante D. Henrique neste aniversário da sua morte.

 

SBF

publicado por voltadoduche às 19:21

17
Mar 10

 

Na madrugada de 16 de Março de 1974, a pouco mais de um mês do triunfador 25 de Abril, um grupo de militares, saiu do R.I. nº 5 nas Caldas da Rainha, com destino a Lisboa. O objetivo era depor o regime.
Nesta altura, o Movimento dos Capitães (MC), já estava praticamente em condições de avançar para as ações a que se propunha – Derrubar o regime!
Entretanto, o MC, sofre um pesado contratempo – a prisão de Vasco Lourenço a 9 de Março! Este militar era, na organização clandestina, a peça nuclear e o fiel da balança relativamente às várias tendências que se iam manifestando no seio do MC, com destaque para a spinolista.
O General (à época) António de Spínola era, no setor civil da sociedade, geralmente identificado como opositor ao regime, ainda mais, depois da publicação do seu livro “Portugal e o Futuro”, onde defendia a criação e desenvolvimento duma federação incluindo Portugal metrópole e as colónias. Para o governo de Marcelo Caetano, a defesa desta teoria, representava em si, uma enorme ameaça para a manutenção do império e do próprio regime, daí a proibição do livro à posteriori.
Ora, para o General Spínola e seus seguidores, o aparecimento e desenvolvimento do MC que eles não controlavam, criou a necessidade de se irem infiltrando e, se possível, tomarem a dianteira nas decisões a tomar, de forma a se encaminharem para os seus objetivos – golpear o Estado e entregá-lo a Spínola.   
 Com Vasco Lourenço fora de ação, tudo ficava mais fácil e, o movimento de tropas a 16 de Março, não foi mais do que a tentativa dos spinolistas controlarem o novo poder.
A liberdade viria a 25 de Abril e, por ironia, Spínola foi Presidente da Junta de Salvação Nacional e Presidente da República, só até 28 de Setembro de 1974, acabando por se demitir em rota de colisão com o MC, nesta fase já o Movimento das Forças Armadas. Conjurou com os seus apaniguados às claras, até 11 de Março de 1975, e, clandestinamente depois com o famoso MDLP. O regime democrático reabilitou Spínola muito pela mão de Mário Soares, e, ainda foi promovido a Marechal.     
SBF
 
publicado por voltadoduche às 21:28

04
Mar 10

Num dia 4 de Março, mas de 1394, faz agora 616 anos, nasceu no Porto um nobre português, que haveria, duma forma planeada e cientificamente desenvolvida, dar início à globalização da actualidade.
O Infante D. Henrique, quinto filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, teve o merecido cognome de “O Navegador”. Ainda novo, transferiu-se (literalmente) de armas e bagagens para o Algarve e instalou-se em Sagres. Esta localização foi escolhida por ser a mais perto do mar desconhecido a sul. Era nesta direcção que o Infante queria dirigir as suas armadas descobridoras.
Assim foi. Em 1415 conquista Ceuta a passa a controlar o estreito de Gibraltar. Em 1419/20, as suas naus, chegam à Madeira e Porto Santo. Nesta fase, a importância de D. Henrique é coroada com a sua nomeação para dirigente máximo da Ordem de Cristo, que sucedeu aos Templários. Ainda na década de vinte são descobertas as primeiras ilhas dos Açores e logo depois Gil Eanes dobra o Cabo Bojador, é descoberto o Arquipélago de Cabo Verde, e toda a costa africana abaixo do Saara, Senegal, Guiné e, até 1460, ano da morte do Infante, tínhamos chegado aonde hoje é a Serra Leoa.
Verdadeiro cientista naquele tempo, o seu trabalho foi determinante para o êxito que as futuras navegações tiveram.
É um dos grandes da nossa história.
SBF
publicado por voltadoduche às 16:56

02
Dez 09

 

Em 1 de Dezembro de 1640, voltamos a ter Rei português e residente em Portugal. Na verdade, os Filipes nunca estiveram em Lisboa. Neste sentido, foram negligentes, para eles, as “favas” tinham sido contadas e não era preciso ter mais preocupações. Só que, a forma como tratavam os outros reinos por eles conquistados, não se aplicava a Portugal com mais de 400 anos de existência como pátria. Para além disso, o império português, era muito semelhante, em todos os aspectos, ao espanhol e, por via da sua localização universal, ia sendo atacado por potências emergentes, inimigas dos espanhóis, criando algumas situações irreversíveis.
Em 1640, em vez do D. Sebastião aparecer numa manhã de nevoeiro, foi um grupo de conspiradores nobres portugueses, que derrubou o poder delegado de Filipe III em Portugal, e fez com que o Duque de Bragança, fosse proclamado Rei de Portugal com o nome de D. João IV,(IMAGEM) iniciando assim a dinastia de Bragança que havia de continuar até ao fim da monarquia em 1910 e que ainda perdura como herdeira da coroa portuguesa, na pessoa de D. Duarte Pio.
O enraizamento popular da data é visível na quantidade de associações, clubes e outras organizações com o nome de “1º de Dezembro”. Sem procurar, aqui em Sintra, conheço dois clubes; O de S. Pedro (Sociedade União 1º Dezembro) e em Rio de Mouro (Sociedade 1º Dezembro).
SBF
(Foto: Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 00:55

12
Nov 09

 

Faz hoje, 11 de Novembro e dia de S. Martinho, 148 anos que morreu, com 27 anos, D. Pedro V de Portugal.
Filho de D. Maria II e de D. Fernando II.
Mesmo com um reinado muito curto, a nossa história reza e liga alguns acontecimentos importantes a D. Pedro V – Em 1855, ano da sua aclamação, é inaugurado o primeiro telégrafo eléctrico português, no ano seguinte, o caminho de ferro de Portugal, faz a sua primeira viagem de Lisboa até ao Carregado, e o passageiro mais importante era precisamente D. Pedro V. É também durante o seu curto reinado que se iniciam as carreiras marítimas regulares entre Portugal e Angola. Foi também por sua influência e financiamento que foi criado o Curso Superior de Letras. O Rei fazia com frequência visitas a hospitais, inteirando-se das maleitas dos internados, especialmente dos mais carenciados. As vertentes da assistência social e da saúde pública, estavam muito presentes nas preocupações do casal Real. Criaram instituições de auxílio aos mais necessitados e alguns hospitais, como exemplo, o Hospital de D. Estefânia, nome da Rainha, que ainda hoje é uma referência nacional.
Um reinado só de oito anos, mas altamente produtivo.
É unânime, que o seu Pai D. Fernando Saxe-Coburgo-Gota, Rei consorte D. Fernando II, teve forte influência na sua educação e ensinamentos para a governação. D. Fernando II, homem culto e experiente, foi regente do reino em várias ocasiões antes da morte de D. Maria II que aconteceu em 1853, e também, quando ficou viúvo e até os 18 anos de D. Pedro em 1855.  
Foi D. Fernando II que mandou construir o actual Palácio da Pena na serra de Sintra. Era um homem dedicado às artes e por isso ficou conhecido em Portugal pelo Rei-Artista. Para além das regências efémeras, sempre fez o possível para se manter afastado dos assuntos do Estado. A maior prova do seu desinteresse é o facto de, em alturas diferentes, lhe terem vindo parar às mãos dois tronos – A Grécia e a Espanha. Recusou ambos.
Também na serra de Sintra, influenciou e incentivou o Estado e os proprietários na florestação da maior parte das suas encostas. A meados do século IXX, a nossa serra era bem mais despida do que é hoje. Sintra e a beleza verdejante deste património mundial, teve muitos responsáveis mas, seguramente, o maior foi D. Fernando II.
Para quem teve um Pai como este, não admira que, em apenas 8 anos de reinado, tivesse feito tanta coisa boa, contribuísse concreta e objectivamente para o desenvolvimento e inovação do País, e, ao mesmo tempo, conseguisse a admiração, o respeito e o carinho do povo anónimo. Os nossos historiadores, não têm valorizado com justiça o Reinado de D. Pedro V.
SBF
(Foto: D. Pedro V de Portugal - Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 01:31

19
Ago 09

No dia 14 deste mês de Agosto fez 577 anos que morreu em Lisboa D. João I, “O de Boa Memória”. Foi o primeiro Rei da dinastia de Avis, tendo sido consagrado Grão – Mestre da Ordem de Avis em 1364.
Nada fazia prever que viria a ser Rei, mas, a ganância de uns e a maldade de outros, (parecido com o que acontece nos nossos dias) fizeram com que assim acontecesse.
O destino do Mestre de Avis, começa a ser traçado quando chega à corte de D. Fernando I, de quem era irmão bastardo, D. Leonor Teles de Menezes que, viria a conseguir casar com o Rei e assim a tornar-se Rainha de Portugal. Esta mulher, a quem chamaram muitos nomes; A dama maldita, rosa brava, adúltera, intriguista, traiçoeira, rameira, mas também a flor de altura e a formosa Leonor Teles, quando chegou à corte em Lisboa, era casada com um morgado do norte chamado João Lourenço da Cunha. D. Fernando estava prometido em casamento a D. Leonor de Castela, Filha de D. Pedro I de Castela, mas, em resultado da proximidade da ambiciosa Leonor Teles de Menezes que, como já vimos, não era de se deitar fora, o Rei consegue livrar-se do compromisso com Castela, consegue que anular o casamento de D. Leonor Teles com o morgado e, em segredo, casa com ela nos arredores do Porto, mais precisamente no Mosteiro de Leça do Balio, a 15 de Maio de 1372.
Os nomes que chamavam à Rainha, tinham razão de ser e, não tarda muito, ela começa a manobrar o Rei e consegue moldá-lo a seu jeito, depois arranja um amante (porque era mulher de muito sustento) o célebre Conde de Andeiro e, finalmente, consegue encaminhar as coisas de forma que o Rei não viva muitos anos e morra em 23 de Outubro de 1383. Ela fica com a regência do reino ao lado do galego Conde de Andeiro em nome da filha D. Beatriz e do seu marido D. João de Castela.
O Povo e uma parte considerável do clero e da nobreza não aceitaram a situação, e, depois de um interregno de 2 anos em que as lutas foram muitas, incluindo a prisão de D. Leonor Teles e a execução do Conde de Andeiro, a 6 de Abril de 1385, o Mestre de Avis é proclamado o 10º Rei de Portugal com o nome de D. João I, iniciando-se assim, a dinastia de Avis. A situação só ficaria calma mais tarde porque entretanto D. João de Castela invade Portugal, acontece a derrota do exército Castelhano em Aljubarrota no mês de Agosto, D. Nuno Álvares Pereira é aclamado Condestável do Reino e, feita a paz com Castela, ficam criadas as condições para o Reino progredir.
Em 1387 D. João I casa com D. Filipa de Lencastre, selo da mais velha aliança do mundo, a Luso-Britânica e, com os filhos que vêm a seguir, começa a constituir-se a “Ínclita Geração”, como lhe chamou Camões. Na verdade foi o começo dum período muito rico da História Portuguesa.
D. João I, um dos grandes reis portugueses, está sepultado no Mosteiro de Santa Maria da Vitória na Batalha.
SBF
(Dicas: “Rosa Brava” de José Manuel Saraiva e “Eu, Leonor Teles” de María Pilar Q Del hierro. Gravura: Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 01:12

08
Ago 09

 

Há a tendência para glorificarmos os feitos históricos em que, sendo vencedores, acrescentamos mais qualquer coisa ao nosso ego e tomamos consciência da importância que a nossa acção teve pelo mundo fora, desde o século XIV.

Em todo o caso, também tivemos as nossas derrotas que fazem parte igualmente da nossa história, e, por isso, devem ser recordadas para que se tirem os devidos ensinamentos. Quem tudo quer, tudo perde! Foi isto que aconteceu com o desafio que D. Sebastião resolveu fazer aos Reis de Marrocos.    
No dia 4 de Agosto de 1578, fez agora 432 anos, perto de Alcácer Quibir no reino de Marrocos, travou-se a batalha dos três reis. Em Marrocos é assim que a batalha é designada em virtude da participação dos três reis; D. Sebastião de Portugal, Mohammed Saadi II e Mulei Moluco de Marrocos.
D. Sebastião, responsável pelo “desastre”, teve um início de vida complicado. Começou por nascer depois da morte do seu próprio pai, D. João Manuel. É que, D. João III, avô de D. Sebastião, teve 11 filhos entre bastardos e legítimos, e todos morreram, sendo D. João Manuel, o último. Quando o óbito aconteceu, D. Joana já tinha D. Sebastião no ventre, que, naquela altura, era a única garantia de continuidade da independência de Portugal face a Castela, daí, o cognome de “O Desejado”.
Os factos históricos, rezam que, dos cerca de 20.000 homens de que era composto o exército português, pelo menos 8.000 caíram na batalha e os restantes ficaram prisioneiros. Muita gente com importância na sociedade portuguesa daquela época, desapareceu dum dia para o outro, levada por um capricho dum menino mimado que deitou tudo a perder.
Alcácer Quibir, como ficou conhecida a batalha para os portugueses, acabou definitivamente com a nossa capacidade de desenvolvimento e mergulhou-nos numa depressão colectiva que dura até hoje.
Ainda há quem sonhe ver, numa manhã de nevoeiro e no dorso dum cavalo branco, a chegada de “D. Sebastião” que virá livrar-nos de todos os males. Como toda a gente sabe, o homem, pura e simplesmente desapareceu naquela dita batalha, ficando sempre a dúvida se morreu, se foi feito prisioneiro ou se fugiu. Portanto, quem ainda espera pela vinda do D. Sebastião, bem o pode fazer sentado ou deitado, porque, se vier… vai demorar muito tempo.
SBF
Dicas: “O Desejado” de Aydano Roriz – Gravura: Wikipédia

 

publicado por voltadoduche às 02:20

15
Jul 09

Ontem foi feriado nacional em França. Comemorou-se a Tomada da Bastilha acontecida em 14 de Julho de 1789.
Foi uma acção preponderante para o que se chamou, e chama, Revolução Francesa.
A Tomada da Bastilha, fortaleza - prisão em Paris, foi decisiva, não tanto pela importância como prisão ou fortaleza, mas pela simbologia. O Povo conseguiu conquistar um dos símbolos do poder absoluto francês.
Dos acontecimentos todos da Revolução Francesa, que decorrem entre Maio de 1789 e Novembro de 1799, a Tomada da Bastilha, transformou-se no principal feriado francês. É a festa. É o Dia da Bastilha.
Com a Revolução Francesa considera-se o início da idade contemporânea. Teve influência em todo o mundo civilizado da altura.
Dada a diversidade de datas, de protagonistas e acontecimentos durante estes dez anos, a matéria académica deste período da história universal, não costuma ser muito do agrado dos estudantes de história por obrigação. Ao contrário, quem estude a Revolução Francesa por gosto da história, é uma época rica de aprendizagem e compreensão da evolução da nossa sociedade até aos dias de hoje.
SBF
(Gravura: Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 00:23

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