A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

22
Set 09

UM GIRASSOL CHAMADO BEATRIZ
De Eduardo Olímpio
O almoço já tinha sido naquele dia de final do Verão de 1977. Já não me lembro do nome daquela lojinha de livros na rua Bernardino Costa (nº 36, salvo erro), ao Cais do Sodré, que o Eduardo Olímpio tinha naquela época. Hoje já não está, e a “Caneças” que é pastelaria e padaria, de vizinha, lá ocupou o prédio todo, incluindo a esquina com a travessa do Corpo Santo, onde estava a lojinha.
Eu, o Carlos e a Helena que não era de Tróia, muitos dias, lá entrávamos, víamos e líamos capas e contracapas e o Eduardo conversava. Ele falava de amigo, de livreiro, de escritor.
Naquele dia de final do Verão de 1977, a conversa foi mais longa. Na calçada, os andantes lá iam com destino certo ou não. As amplas montras da esquina cumpriam a sua obrigação e deixavam ver os bustos dos passantes. A “gente” falava e falava, já era o primeiro governo constitucional do Primeiro – Ministro Mário Soares. A democracia estava a dar os primeiros passos e muitas incertezas se contavam. O Eduardo Olímpio conversava e Eu, o Carlos e a Helena que não era de Tróia, bebíamos a sabedoria deste homem culto e simples, esclarecido e inteligente.
O Verão de 1977 estava a dar as últimas e Eu, o Carlos e a Helena que não era de Tróia, trouxemos leitura com dedicatória do escritor Eduardo Olímpio.
Da minha prateleira “alfarrabista”, com a juventude (de 1977) na palma da mão, apeteceu-me tirar “Um Girassol Chamado Beatriz”. As folhas já têm tom amarelado e anotações de uso. Abrindo, a, esferográfica azul, vê-se: Esboço de um girassol e escrito, «com aquele – abraço do Eduardo Olímpio – 1977». Passou muito tempo, contado em anos foram 32, mas agradeço-te outra vez. Este livrinho é uma delícia. São as tuas crónicas, na tua terra, da vida desde os 2 anos até “a menina da carreira de Manique”, esta “menina”, que daria lugar mais tarde, a um outro livro de crónicas com este mesmo nome. Aos dez anos dizes esta coisa maravilhosa: “…nem que eu vivesse mil anos esqueceria as mãos de minha mãe passando pela minha cabeça enquanto repetia: - o meu menino… - o meu menino… dizem que eu sou muito parecido com ela: - eu acho que a melhor coisa que a vida me deu é eu ser parecido com minha mãe.”
O Eduardo Olímpio nasceu a 24 de Janeiro de 1933 em Alvalade do Sado, é autor de uma vasta obra de poesia, ficção e infantil.
“Um Girassol…” foi editado pela “Prelo Editora” em Novembro de 1975.
SBF
(Gravura: Capa do Livro digitalizada)
publicado por voltadoduche às 01:00

Era a"Livraria Anglo-Americana". Sou filho do Eduardo Olímpio e tive muito prazer em ler este post. Obrigado e felicidades.
Anónimo a 26 de Fevereiro de 2010 às 12:39

Muito obrigado pelo seu comentário.
Agora que disse o nome da livraria, já me lembro.
Trabalhei muitos anos por cima do BBI (agora BPI) na STAR e, de quando em vez, ia, com outros colegas à livraria do seu Pai que admirávamos muito.
Muitas felicidades para si também
Silvestre Félix
voltadoduche a 26 de Fevereiro de 2010 às 16:51

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