A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

30
Set 09

 

Repasso pelos mandatos de Jorge Sampaio, Mário Soares e Ramalho Eanes e mesmo Spínola e Costa Gomes, e não consigo lembrar-me de um “pronunciamento” presidencial tão mau, tão desestabilizador, tão fora do contexto, tão provocador, como ao que assistimos ontem.
Independentemente do sentido do meu voto, habituei-me, como decerto a maioria dos portugueses, a ver na instituição, Presidência da Republica, o símbolo máximo da nossa segurança democrática. A nível político pode haver períodos mais agitados, na Assembleia “esgatanham-se” todos, mas, no topo, zelando pelo cumprimento da nossa Constituição, e garante da nossa democracia, lá está o Presidente da Republica, assim como se fosse um porto de abrigo.
Até ontem, foi assim!
Numa altura, em que o principal papel dum Presidente da República, seria procurar estabilidade, mediar, fazer “pontes”, criar consensos, enfim, estabelecer condições para que os reais interesses do País fossem defendidos por todos os intervenientes, em vez disso, atira com um barril bem cheio de gasolina, para a fogueira. Ainda se tivesse razão, criticável, mas, compreensível. Mas não, nem isso, o senhor trocou tudo, acusou quem lhe apeteceu, e ignorou afinal o início de tudo; a notícia do “publico” em 18 e 19 de Agosto, “denunciando” haver escutas em Belém, a mando do Governo.
Ontem, Cavaco Silva, prestou um mau serviço ao País. Penso que iniciou a caminhada para não voltar a ser eleito, por mim, não é de certeza.  
É sintomático verificar que, mesmo aqueles analistas e comentadores, habitualmente acríticos em relação ao Presidente, ontem, não lhe perdoaram.
 Já hoje o Primeiro – Ministro fez uma curta declaração sobre o assunto. Remeteu para o comunicado do PS de ontem, e disse aos jornalistas não querer voltar a falar do assunto, ou seja, está a tentar “pôr água na fervura” como compete a um cidadão responsável.   
SBF
publicado por voltadoduche às 19:03

29
Set 09

 

1613
“Um amor proibido no mundo exótico e cruel do Império Português das Índias”
De Pedro Vasconcelos
Este romance é o primeiro de, pelo menos três, “rodados” no Império Português da Índia” no início do século XVII em pleno reinado Filipino, que este autor publica. O 1613 em 2005, o 1617 em 2007 e o 1621 já em 2009. Tal como o tempo que decorre de livro para livro, assim evolui a história.
O heroísmo destes nossos antepassados, percorrendo as estradas marítimas antes abertas pelo “Leão dos Mares da Ásia” Afonso de Albuquerque, mantendo a marca lusa contra todas as contrariedades, designadamente os ataques às fortalezas portuguesas por parte dos emergentes Holandeses.
O dia de 27 de Janeiro de 1613 é, no romance, um marco histórico. A frota holandesa faz mais um ataque, desta vez, à fortaleza de Solor numa das muitas ilhas do pacífico, onde hoje é, o grande arquipélago da Indonésia, e que naquela época faziam parte do império português.
Os holandeses levaram a melhor, e em resultado dessa derrota, levaram D. Manuel Álvares ao tribunal em Goa, acusado de ser o responsável por mais esta perda do Império. Aí, se vai desenrolar a história, com o encontro de D. Manuel e a amada de Solor, a princesa Nenu.
Tal como hoje se sabe, do Império Português no Oriente, os holandeses levaram uma boa parte e depois os Ingleses e Franceses. Só conseguimos manter Timor no sul, Macau a norte e Goa, Damão e Diu na costa ocidental da Índia.
É uma publicação da “Oficina do Livro” com a 1ª edição em Outubro de 2005.
Pedro Vasconcelos nasceu em Lisboa em 1961. Viveu em Paris, Belgrado, Timor e nas florestas do Zaire. É um verdadeiro viajante e colunista de áreas temáticas em várias revistas e jornais. Da sua experiência em Timor e Índia, nasceu este seu primeiro romance, 1613, que põe à prova a capacidade do leitor de não se deixar levar pela aventura.    
SBF
(Gravura: Capa do Livro – Oficina do Livro)
publicado por voltadoduche às 17:53
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27
Set 09

 

Um, dois e três, “lá vai alho!” e, lá vai balanço, corre, corre, e… aii! Quatro, cinco e seis, “és pesado c’mó ca…!”
A classe toda ao mesmo tempo, como se de coro de igreja se tratasse; nove vezes um, nove, nove vezes dois, dezoito, nove vezes três, vinte sete… e por aí fora. Nunca gostei da tabuada dos nove nem das fotografias na parede atrás da professora.
Não sei como, mas um, eu sabia que era o Salazar, o outro, só mais tarde soube que era o Craveiro Lopes e já devia ser o Américo Tomás. Estava atrasado três ou quatro anos, porque o Américo Tomás ficou Presidente quando o Humberto Delgado ganhou em 1958, e, como tinha dito que demitia o Salazar, este antecipou-se, e pôs a PIDE a correr com ele. Naquele tempo, os presidentes, os ministros, os directores e o Salazar, faziam assim; quando “não iam à bola com alguém” punham a PIDE, que era uma polícia que não vestia farda para as pessoas não saberem quem eram, dizia eu, punham a PIDE atrás, apanhava a pessoa, prendia, batia e torturava e depois tinham uns tribunais a fingir, que se chamavam “plenários”, onde condenavam as pessoas a penas efectivas de prisão, para não andarem a gritar “Viva a liberdade!”, “Abaixo o fascismo!”, “Abaixo o Salazar!”, “Eleições livres!”, “Vivam os trabalhadores!” “Independência pás Colónias!” e muitas outras coisas que naquele tempo ninguém podia dizer porque o Salazar não queria.
A minha professora não usava régua com buraquinhos. Dava reguadas com uma régua normal de madeira. Estava mesmo a dizer a verdade. Foi injusta comigo, mas eu não tive argumentos que a convencesse, e, não tive como escapar à régua que me aqueceu as palmas das duas mãos. Mas a Professora era boa Senhora.
Encosta só a pontinha da fralda da minha bata branca à bata aos quadradinhos azuis do “Julinho” – E o “Julinho” diz; “Está a fazer contacto, vai dar choque…” e eu esperava e nada…nem contacto, nem choque, tudo na mesma.
E as férias vieram e o Natal também veio, e depois o Ano Novo, e a guerra em Angola começou. Quando voltei à escola, já lá estava o Américo Tomás em vez do Craveiro Lopes. E a minha Mãe dizia mal da guerra. Oh Mãe, quando eu for pá tropa ainda há guerra? Não filho, ainda falta muito tempo.
Eu aprendi com a minha Mãe que a guerra era uma coisa má, e a minha Mãe dizia sempre mal da guerra. Com a minha Mãe só aprendi coisas boas.
Chegou a hora do recreio. Ainda falta muito contado em anos para ir pá tropa.
Um, dois e três, “lá vai alho!”
SBF
 
publicado por voltadoduche às 01:27

25
Set 09

As folhas caiem cada vez com mais intensidade.
O Outono anuncia-nos dias cinzentos, árvores despidas e vegetação engelhada e seca.
O Outono chama o Inverno que fica mais próximo, e a presença do sol é cada vez menos tempo. Anoitece a meio da tarde com tristeza e melancolia.
O Outono e o Inverno pressentem o final da vida.  
O Outono e o Inverno são uma passagem para a alegria da Primavera e Verão.
SBF
(Foto: Folha Caduca – Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 00:48
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24
Set 09

E a caminho das eleições nós vamos. Nestes dias, antes de se dar trabalho às URNAS, há tanta gente a fazer greve… Estarão à espera que alguém lhes resolva alguma coisa, ou é só, para tentarem influenciar o sentido do voto?
Afinal; OCDE, INE, BdP e outros que tais, todos os dias nos transmitem indicadores de boa, ou,  menos má reacção aos efeitos da crise universal. Parece que os “medicamentos” de Sócrates e companhia, deram algum resultado.
Escutas daqui, escutas dali, um assessor a menos, e o PR a ficar mal no filme.
Pacheco daqui, Rangel dacolá, salta, salta, laranjinha. É que esta coisa, não é: “Muda aos cinco e acaba aos dez”. Enquanto houver golos, estão sempre a contar, e, os desta cor, estão a sofrer uma goleada.
Para disfarçar, vamos lá mudar de cor. Então… não é que os Ingleses, nunca mais mandam para cá o Vale e Azevedo. Os súbditos de SM, são uns gajos porreiros, e, principalmente, para os “portugas”. Há séculos que os nossos tribunais pediram a devolução do “elemento”, mas como para eles, palavra de “portuga” não vale, o Vale (passe a redundância) e os Ingleses, vão gozando connosco.  
E o drogado do “Freud”? Diz-se que sonhava “coisas boas” quando morreu (em liberdade) a 23 de Setembro de 1939 em Londres. Ainda hoje, e não sabemos durante quanto tempo mais, as teorias deste homem, dão que pensar…
SBF
(Foto: Freud em 1920 – Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 01:30

22
Set 09

UM GIRASSOL CHAMADO BEATRIZ
De Eduardo Olímpio
O almoço já tinha sido naquele dia de final do Verão de 1977. Já não me lembro do nome daquela lojinha de livros na rua Bernardino Costa (nº 36, salvo erro), ao Cais do Sodré, que o Eduardo Olímpio tinha naquela época. Hoje já não está, e a “Caneças” que é pastelaria e padaria, de vizinha, lá ocupou o prédio todo, incluindo a esquina com a travessa do Corpo Santo, onde estava a lojinha.
Eu, o Carlos e a Helena que não era de Tróia, muitos dias, lá entrávamos, víamos e líamos capas e contracapas e o Eduardo conversava. Ele falava de amigo, de livreiro, de escritor.
Naquele dia de final do Verão de 1977, a conversa foi mais longa. Na calçada, os andantes lá iam com destino certo ou não. As amplas montras da esquina cumpriam a sua obrigação e deixavam ver os bustos dos passantes. A “gente” falava e falava, já era o primeiro governo constitucional do Primeiro – Ministro Mário Soares. A democracia estava a dar os primeiros passos e muitas incertezas se contavam. O Eduardo Olímpio conversava e Eu, o Carlos e a Helena que não era de Tróia, bebíamos a sabedoria deste homem culto e simples, esclarecido e inteligente.
O Verão de 1977 estava a dar as últimas e Eu, o Carlos e a Helena que não era de Tróia, trouxemos leitura com dedicatória do escritor Eduardo Olímpio.
Da minha prateleira “alfarrabista”, com a juventude (de 1977) na palma da mão, apeteceu-me tirar “Um Girassol Chamado Beatriz”. As folhas já têm tom amarelado e anotações de uso. Abrindo, a, esferográfica azul, vê-se: Esboço de um girassol e escrito, «com aquele – abraço do Eduardo Olímpio – 1977». Passou muito tempo, contado em anos foram 32, mas agradeço-te outra vez. Este livrinho é uma delícia. São as tuas crónicas, na tua terra, da vida desde os 2 anos até “a menina da carreira de Manique”, esta “menina”, que daria lugar mais tarde, a um outro livro de crónicas com este mesmo nome. Aos dez anos dizes esta coisa maravilhosa: “…nem que eu vivesse mil anos esqueceria as mãos de minha mãe passando pela minha cabeça enquanto repetia: - o meu menino… - o meu menino… dizem que eu sou muito parecido com ela: - eu acho que a melhor coisa que a vida me deu é eu ser parecido com minha mãe.”
O Eduardo Olímpio nasceu a 24 de Janeiro de 1933 em Alvalade do Sado, é autor de uma vasta obra de poesia, ficção e infantil.
“Um Girassol…” foi editado pela “Prelo Editora” em Novembro de 1975.
SBF
(Gravura: Capa do Livro digitalizada)
publicado por voltadoduche às 01:00

19
Set 09

Há dezanove anos atrás, por altura dos “acordos de Bicesse” (paz em Angola assinada pelo MPLA e UNITA), já se proclamavam elogios a Durão Barroso, principal promotor e organizador do processo e Secretário de Estado dos Assuntos Externos e Cooperação do Governo de Cavaco Silva. 
O homem já tinha tido outras funções governativas, e, para trás, até já tinha sido militante activíssimo do MRPP.
Este lugar, o protagonismo nos “acordos do Bicesse” e algumas intervenções em palcos internacionais a favor da retirada da Indonésia de Timor Leste, atiraram-no de tal forma para a ribalta, que passou a ser a estrela do Governo e, no seguinte, foi promovido a Ministro dos Negócios Estrangeiros.
O resto do percurso é bem mais recente, toda a gente se lembra da “cimeira da vergonha” nos Açores, grande pedra no sapato de Durão Barroso, e da forma como abandona a chefia do Governo português partindo rapidamente para Bruxelas em 2004. Já naqueles idos anos de 1990, eu tinha um colega de trabalho, fanático pelo PSD, que, constantemente me lembrava que “o Durão ainda havia de ir longe”. Bom, Bruxelas não é assim tão perto, mas, esse meu colega tinha razão, o homem tem mérito, porque senão, nem tinha ido em 2004, quanto mais um segundo mandato em Presidente da Comissão Europeia.
Como se percebe, não tenho particular simpatia, nem pela pessoa, nem pelo que politicamente representa, mas, contra factos não há argumentos e, tratando-se de um português, fico satisfeito e orgulhoso, de ver reconhecida a sua competência para mais um mandato à frente dos 27 da União Europeia.
SBF
(Foto: Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 01:29

16
Set 09

 

Daquela Janela do terceiro andar, via as silhuetas e os passos apressados. Iam e vinham do comboio conforme o relógio da “Ribeira das Naus” marcava. Daquela janela, sentia a vida, sentia a felicidade, sentia a tristeza, sentia a ansiedade do princípio dos anos setenta, sentia a chegada do fim da ditadura.
Daquela janela do terceiro andar, conseguia ver as entradas e saídas do “Bragança”, porta do lado já escolhida pelo Eça, pelo Bulhão Pato e por outros das andanças romanescas do ido século IXX. Daquela janela, até via a outra paralela, da do Alecrim, a das Flores, que também o Eça tinha escolhido para palco da “tragédia”, só chegada aos escaparates por este nosso tempo e lido com avareza e entusiasmo. Do terceiro andar, todos os dias via o brilho do sol que me carregava de sonhos e esperança.
Daquela janela do terceiro andar, o tempo, contado em alguns anos, levava a juventude para a verdade dura da vida. Naquela janela, vi, ouvi e pensei o bom e o mau, o feliz e o infeliz, o amor e a indiferença, o trabalho e o lazer, o bonito e feio.
No terceiro andar, aquela janela, foi a grande encruzilhada da vida!
SBF
(Foto: Praça Duque da Terceira em Lisboa - Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 17:37

15
Set 09

 

Nunca pensei ver o Engº Sócrates ser entrevistado pelo Ricardo Araújo Pereira.
Saíram-se os dois muito bem.
O “Gato Fedorento” perguntou com humor (qb), e o Sócrates correspondeu inteiramente à onda.
Grande lição para os nossos “jornalistas” e para os outros “políticos”.
Estou com muita curiosidade de ver a prestação dos outros fazedores de política.
SBF
publicado por voltadoduche às 01:26

 

O ÚLTIMO CABALISTA DE LISBOA
De Richard Zimler
Descobri Richard Zimler com a leitura de “O Último Cabalista de Lisboa”. Foi o primeiro romance deste Luso-Americano publicado em 1996 pela “Quetzal”.
Já tenho na mão o último que o escritor escreveu, e que foi colocado à venda a semana passada; “Os Anagramas de Varsóvia”, uma história passada no gueto judaico daquela cidade no Outono de 1940. Quatrocentos mil Judeus que os nazis humilharam, maltrataram, torturaram e mataram.
A leitura deste está a seguir, mas agora, quero falar do “Último Cabalista de Lisboa”. É um romance que testemunha porventura, o maior erro que o Estado português cometeu ao longo de toda a história Lusa – A perseguição e expulsão dos Judeus do Reino de Portugal por ordem de D. Manuel I. Ao mesmo tempo, as agruras dos que ficaram e que foram forçados a converterem-se ao cristianismo, passando a serem conhecidos por cristãos – novos. O erro que refiro, não tem nada a ver com religião, mas sim, com a mais – valia que os Judeus representavam para a sociedade portuguesa da época. Foi uma perda irreparável, provavelmente até hoje. Eles eram: Comerciantes, artesãos, banqueiros, médicos, farmacêuticos, cientistas, professores, advogados, juízes, enfim, tudo o que tinha a ver com desenvolvimento, modernidade e organização.
O mesmo já tinha sucedido do outro lado da fronteira, em Castela, D. João II tinha aguentado a pressão, mas, D. Manuel I, “Embeiçado” pela Castelhana princesa “carrancuda”, Isabel da Paz, que só viria para Portugal, consumar o casamento com o Rei, depois dos Judeus serem todos expulsos do Reino. O Rei assim fez. Contra a opinião de toda a gente, incluindo da notável D. Leonor, sua irmã e viúva de D. João II e de sua Mãe D. Beatriz, cumpriu os caprichos de Isabel da Paz.
Bom, mas isto é outra história, voltemos ao nosso romance que centra a carga trágica nos acontecimentos de Abril de 1506. Nessa altura, durante as celebrações da Páscoa em Lisboa, foram assassinados 2000 cristãos – novos e os corpos queimados no Rossio.
A leitura deste romance, fez-me entender muito da história contemporânea do nosso País.
Quando forem comprar o último romance do Richard Zimler, procurem o “Último Cabalista de Lisboa”.
Richard nasceu em Nova York no ano de 1956, veio viver para o Porto em 1990 onde é professor da Universidade do Porto. Actualmente tem duplo nacionalidade (Americana e Portuguesa).
SBF
(Gravura: Capa do Livro)
publicado por voltadoduche às 01:08

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