A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

30
Jun 09

 

 

A Vida num sopro
De José Rodrigues dos Santos

Uma “viagem” ao tempo da ditadura. Com a genialidade de José Rodrigues dos Santos, o leitor entra na história pela “portada” do amor. Dois jovens naqueles anos 30 do século passado, que se apaixonam e que têm a infelicidade de tropeçar, por duas vezes e em tempos diferentes, no salazarismo e nos salazarentos.

A luta antifascista de valor e intenção universal, com os carrascos da pide sempre na cola, era feita no dia a dia de pequenas coisas, que muitas vezes tinham mais a ver com a vontade de eliminar os valores ultra conservadores da sociedade portuguesa. Em crescendo, e como reacção natural à repressão imposta pelo “aparelho”, a consciência da falta de liberdade ia aumentando.
O quadro da época é completado com o desastre da guerra civil espanhola, e com a intervenção “de fininho” das autoridades portuguesas, sempre com a última palavra do ditador e dos carrascos da pide.
Para mim, até agora, o melhor romance do JRS é “A Filha do Capitão”, mas “A vida num sopro” é um excelente romance que recomendo. Tal como desta vez fez o JRS, acho que este período da vida portuguesa, deve ser abordado, duma forma descomprometida e sem tabus, por outros autores portugueses.
A edição é da “Gradiva” e a primeira de Outubro de 2008.
O José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964 em Moçambique e é conhecido do grande público através da sua profissão de jornalista da RTP. É Doutorado em Ciências da Comunicação e professor da Universidade Nova de Lisboa. Este é o seu sexto romance.
SBF
(Gravura: Capa do Livro)
publicado por voltadoduche às 00:14

29
Jun 09

 

Entre muitas outras virtudes e obrigações, descritas sem descanso nos Evangelhos da Igreja Católica, São Pedro, possuindo as chaves do Céu, tem a prerrogativa de o abrir ou fechar e, sendo assim, fazer chover ou não. Bom, vamos ver como vai estar esta Segunda – Feira, dia de São Pedro, porque a véspera, não foi muito dada a arraiais, de falta de chuva ninguém se pode queixar.
São Pedro, conforme reza a História e os Evangelhos, foi o primeiro Papa da Igreja Católica Apostólica Romana e, em Roma, se chamou para a eternidade, a Basílica de São Pedro e a praça de São Pedro.
São Pedro, com justiça, também é um dos nossos Santos Populares e padroeiro da freguesia de S. Pedro de Penaferrim, que é a minha, e na Igreja de São Pedro me baptizaram. Por tão abençoado e importante ser, São Pedro também foi escolhido para missão de alto gabarito, emprestar a sua auréola ao feriado do concelho de Sintra.
As nossas festas maiores, lá têm mexido há duas semanas, estando a chegar ao fim amanhã com a chamada feira anual. Tradição é tradição, e lá fui às sardinhas que boas estavam.
As festas acabam, o mês de Junho dá lugar ao sétimo, e o São Pedro lá continua com o chaveiro bem agarrado entre as mãos.
SBF
(Foto: São Pedro - Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 00:33

28
Jun 09

 

Todos afirmam ter consigo a verdade, mais do que isso – A verdade absoluta!
As autárquicas e as legislativas já estão marcadas, mesmo que as datas não tenham sido do agrado de todos. Cada um tem a sua verdade e, olhando para o umbigo como é costume, só essa é autêntica.
 Os partidos são a base da nossa organização política. Sabemos isso, e mesmo o (Zé), que muitas vezes tem dúvidas, deve esclarecer-se e aceitar que não há sistema melhor. Mesmo assim, dando por bom o sistema, temos a obrigação (O Zé e eu) de o melhorar. Os activos partidários têm de ser educados de forma a saberem escutar o (Zé e eu). Têm de aprender que, mesmo eles que são “iluminados”, e estão predestinados a um dia terem o poder na mão, que as verdades são muitas, e que devem corrigir os manuais de forma que a próxima geração, comece a conseguir ver todas as verdades.
O fanatismo, seja por mero interesse material (individual ou de grupo), ou por convicção ideológica deficiente, é dos piores defeitos das nossas organizações partidárias.
O cheiro a naftalina e os discursos do passado, trazem-nos recordações doutra senhora. (Eu e o Zé), não queremos mais isso.
Tenho esperança que as nossas juventudes partidárias, aproveitem os melhores ventos desta era (em crise), e se empenhem na autêntica defesa do interesse colectivo do nosso País, usando todas as verdades que estiverem ao seu alcance.
SBF
(Foto: Zé Povinho do Bordalo Pinheiro - Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 23:45

26
Jun 09

 

Em 24 de Junho de 1128, já lá vão 882 anos, estiveram dos lados opostos da batalha, chamada de S. Mamede (em Guimarães), O Príncipe D. Afonso, futuro Rei D. Afonso Henriques, e sua Mãe D. Teresa e seu Padrasto, conde Galego, Fernão Peres de trava.
D. Afonso Henriques saiu vencedor e, segundo as versões mais antigas, encarcerou a Mãe, D. Teresa, a ferros, num castelo do Minho que alguns diziam ter sido Póvoa do Lanhoso. Existem entretanto outras opiniões mais recentes, que dão conta, da expulsão do Condado portucalense para a Galiza, do Conde Fernão Peres de Trava e de D. Teresa, que recolheria a um convento.
A data da batalha, tudo indica que tenha sido mesmo a 24 de Junho, quanto ao local exacto e à forma como a batalha decorreu, e o que foi feito dos vencidos, aí é que, ao longo do tempo, foram aparecendo várias versões.
O essencial é que, com a vitória em S. Mamede e o consequente reconhecimento de D. Afonso Henriques, por parte dos barões portucalenses, como chefe incontestado do Condado portucalense, ficam criadas as condições para a ascenção à independência e, duma vez por todas, o Condado deixar de fazer parte do reino de Leão e Castela.
O tempo que se seguiu consolidou, primeiro; a libertação da hegemonia Galega, e mais tarde, com mais calma e muita sabedoria de D. Afonso Henriques e seus aliados, a independência total e definitiva em relação a Leão e Castela, e o reconhecimento de D. Afonso Henriques como primeiro Rei de Portugal, na conferência de Zamora no Reino de Leão, a 4 e 5 de Outubro de 1143.
A generalidade dos historiadores considera, que o resultado da batalha de S. Mamede, foi o início do caminho que levaria à autonomia do Condado e posteriori construção do Reino de Portugal.
Este dia 24 de Junho é o feriado Municipal de Guimarães e, especialmente este ano, que se comemora os 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques, os festejos são de arromba.   
SBF
(Dicas: Alexandre Herculano – História de Portugal, Diogo Freitas do Amaral – D. Afonso Henriques)
(Foto: Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 01:10

25
Jun 09

A direcção da Costa do Sol e a areia a desaparecer na ondulação. O Grego e os camarões. O areal fica coberto e o sol do Índico ainda. Triunfo se dizia e autódromo se fazia, e agora no bazar do peixe se vende. Ainda com os símios atentos à guloseima, lá pela frente os prédios da Polana e da Julius Nyerere alinhadinhos até à vermelha.
À porta medalhado e o Polana abençoado. A baía lhe deixa a brisa pelas bandas da piscina e dos aposentos do mar. E o chá das cinco com os bolinhos na bandeja cromada e levada com luva branca. Lá em cima, na esquina com a 24 de Julho, o Piri Piri do frango e camarão da esplanada gostosa e passeio movimentado.
De Eduardo Mondlande como grande o nome, só podia ser a avenida. Na escola o Bruno aprendeu a ler, a cantar e a saber quem era “Vô Kaunda” e “Papá Samora”. Muitas faixas de rodagem desde a Julius Nyerere até Alto Maé. São muitos quilómetros. Na esquina noroeste com a Vladimiro Lenine, em oito pisos acima de ascensor sempre em baixo, o Ferraz, a Gilda e a Virgínia, a tomarem conta e que saudades.
Paredes com o Império e o Scala do outro lado o fonte azul parceiro da velha fortaleza e o pão quentinho na de Timor Leste que muitos anos depois havia de festejar a libertação. No quarenta e seis a moçambicana de cargas e o Reynolds e o Rafique e o Amaral e o Jaime e o Eugénio e o P Lobo e a Conceição e outros e mais outros…
Os aromas das especiarias do bazar e o cheiro da madeira do artesanato, e lá debaixo o saco do camarão. Oh Ferraz, o que vai fazer para o almoço? Não tem nada senhor, só camarão. Ok, camarão e batatas? Não tem senhor, só tem farinha milho e frita palito. Ok, é um bom petisco.
25 de Junho de 1975. Passaram 34 anos desde a proclamação da independência de Moçambique. O mundo deu muitas voltas e Moçambique também mudou muito desde essa altura. A minha lembrança mais longínqua, é a que digo em cima, de 1982. A lembrança mais recente é de 2000. 
Que a paz esteja sempre convosco. Os Moçambicanos merecem tudo de bom. Um grande abraço Moçambique e especialmente para os meus amigos. Eles sabem quem são.
Silvestre Félix
SBF
25 de Junho de 2009
(Fotos: Wikipédia - Topo: Vista geral de Maputo desde outra margemda baía - Em baixo: Mapa bandeira)
publicado por voltadoduche às 00:19

24
Jun 09

 

 

A propósito da quebra de impostos na coluna da receita durante esta primeira metade do ano, e que responsáveis governamentais já vieram dar explicações, quese aceitam à partida como boas, ou, se não para justificar a totalidade, justifica a maior parte.
Mas, dizia eu, a propósito desta notícia do dia e perante os jornalistas, diz a líder do maior partido da oposição, aquilo que já se vem transformando em cassete oficial; “Era previsível. Há muito tempo que eu venho dizendo que …… “ Esta frase, está a ser dita todos os dias a propósito de tudo; A mulher sabe sempre tudo… A mulher já tinha avisado… A mulher já tinha dito… Também deve ser como o outro; Nunca tem dúvidas, acerta sempre! Mas onde é que ela tem estado estes anos todos? Já não foi Secretária de Estado e Ministra pelo menos duas vezes?
SBF
(Foto: Wikipédia)
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A Sociedade actual do Irão é uma “sopa” em que os principais condimentos são: A religião, com os maioritários e oficiais Islâmicos Xiitas, os Islâmicos Sunitas, as etnias com os Persas, e os Árabes. Para além de todas as influências sociais e culturais deixadas pelos sucessivos ocupantes, os Persas foram conseguindo manter-se como etnia dominante.
Hoje, esta sociedade está completamente dividida na diagonal, ou seja, a divisão atinge todos os condimentos da “sopa”. As manifestações, seguidas da repressão do poder islâmico, já criaram os seus mártires.
Depois da situação criada depois das eleições, dificilmente o Irão voltará à situação de antes das eleições. A revolução foi há 30 anos e uma grande parte da população activa que nasceu depois, não se identifica com as correntes mais conservadoras.
A baralhar ainda mais o problema, o Irão está rodeado de países instáveis; A oriente o Afeganistão e o Paquistão, a ocidente o Iraque.
Os órgãos do poder não cedem, e estão já a tratar da tomada de posse do novo Presidente da Republica Islâmica do Irão.
SBF
publicado por voltadoduche às 00:22
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23
Jun 09

 

LONGE DE MANAUS

De Francisco José Viegas

 

Mais uma vez, o detective Jaime Ramos, que acompanha o autor em anteriores policiais, tem em suas mãos a investigação dum homem encontrado morto perto do Porto.
A partir deste acontecimento, o autor leva a investigação a um cruzamento de locais e personagens espalhados pela abrangência da lusofonia, com travessias constantes do atlântico, no fundo, é a triangulação da ligação através da mesma língua, independentemente de ser falada nas ruas de Luanda, de Bissau, do Rio de Janeiro, do Porto ou de Manaus, em pleno coração da Amazónia.
O detective Jaime Ramos, como é costume nas outras obras, é um contador e inventor de histórias que delicia o leitor e, tal como a ele, ajuda no encaminhamento da vida.
O autor consegue dar-nos a imagem; dos locais, das pessoas e dos sentimentos, como nenhuma imagem verdadeira consegue.
Boa leitura!
Francisco José Viegas nasceu em 1962. Longe de Manaus, faz parte da colecção “Finisterra” das Edições ASA e a 1ª edição foi publicada em Abril de 2005.
SBF
(Foto: Capa do Livro)
publicado por voltadoduche às 00:48

 

Daquela janela do terceiro andar observava os vidros do número sete da “Bensaúde” e, no último piso, as águas furtadas com o acesso ao estendal da roupa que, beijando o sol da manhã pela nascente, incentivava o olhar alegre e penetrante enquadrado num sorriso arrepiante de paixão.
O sol no enfiamento da do alecrim até ao Camões, dava o pretexto para descer até ao “Califórnia” com as lulas recheadas, o bitoque ou o bife à café. Findo o lauto, e o cumprimento de despedida para o António e o Chico das mesas, saindo pelo caminho dos da carris, o “Brithis Bar” e o tubo cromado acompanhando o balcão em cima e em baixo para posar o sapato, o relógio de parede com as horas ao contrário e aquela gravura centenária do veleiro do agente vizinho. O digestivo, e o Vicente, o digestivo e o Oliveira (cliente) porque o Oliveira (barman), por esta altura, já não fazia parte dos vivos. O digestivo e o Caparica, o digestivo e o Zé Manel e o Mendes e o Louro e o Milheiro e o Nunes e…
O “gravateiro” chinês e o cauteleiro com a terminação. Fatos, gravatas e sapatos engraxados. Último quartel do almoço, pela esquina do corpo santo até à Ribeira das Naus e a relva da borda d’água. O Tejo naquele dia corria para a barra e o cacilheiro navegava ao contrário para chegar ao cais do Cais do Sodré.
O Tejo e o mar da palha. A água forma pequenas ondas que vão batendo nas pedras da margem. Falando, olhando, rindo, rosário de Maria, e eu, na direcção contrária à corrente até ao cais das colunas. O olhar da alma e o sorriso e eu e rosário de Maria voltando no enfiamento da do alecrim. Eu menino, ela menina, e os dois alegres e felizes.
Eu estava naquela janela do terceiro andar.
SBF
(Foto: Praça Duque da Terceira em Lisboa - Wikipédia)
publicado por voltadoduche às 00:43

22
Jun 09

 

O cinzento é cinzento, é ausência de cor, é ausência de luz, é ausência de sol, é ausência de tudo, até se diz das pessoas chatas (“aqueles cinzentões”)
Como é possível estar contente com o cinzento? É verdade, estou mesmo!
O dia hoje está cinzento, mas para aliviar o calor dos últimos dias vale tudo, até gostar do cinzento.
Os quase 40 graus são difíceis de aguentar.
Ontem nem sequer aquela brisa marítima que sobe e desce as encostas da serra, e vem até nós a aliviar-nos de tamanha fornalha.
SBF
publicado por voltadoduche às 10:22
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