A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

31
Mai 09

 

Lembro-me da construção dos edifícios que viriam a constituir o bairro de Mira – Sintra. Estávamos lá pelo início da década de setenta do século passado. Este bairro era notícia, considerando a dimensão e importância dos acontecimentos que mereciam ser referidos pelos órgãos de comunicação à época. Nessa altura, os bairros de lata fervilhavam em volta das principais cidades do nosso litoral, principalmente na cintura de Lisboa e, com a chegada constante de populações vindas do interior, levaria ainda muitos anos até que as barracas começassem a diminuir.
A construção de raiz, deste bairro, para alojamento de famílias com baixo rendimento, era novidade em todos os aspectos; Pelo tipo de construção e a quem se destinava. Daí, o ser notícia. Eu, que fazia de comboio, a minha ida e volta diária a Lisboa onde trabalhava, via os edifícios a crescer todos os dias.
Mira – Sintra, ainda antes de se tornar uma das freguesias novas do concelho de Sintra, foi adquirindo vida própria, tendo criado várias estruturas sociais, recreativas e culturais. Nas realizações a nível regional, sempre está presente qualquer instituição de Mira – Sintra.
Passados estes trinta, quase quarenta anos, a, agora, Freguesia de Mira – Sintra, volta a ser notícia nacional, também por uma boa razão. A Junta de Freguesia vai avançar para um ambicioso projecto de autonomia energética. Com a instalação de painéis solares nos telhados dos seus edifícios, querem; primeiro, atingir a auto-suficiência, segundo, quando aí chegarem, passar à venda do excedente de energia produzida, à rede de distribuição.  
É com acções concretas no terreno como esta, que se protege o planeta.
É com esta política que se protege e defende os interesses das populações.
Não sei, nem me interessa saber, de que cor política são os membros do executivo desta Junta de Freguesia.
SBF
publicado por voltadoduche às 00:14

30
Mai 09

A culpa é dos dois maiores partidos, PS e PSD. É uma vergonha que após mais uma votação na Assembleia da República, continuemos sem provedor da Justiça eleito. Escusam de se culpar mutuamente porque, se alguém ainda tinha dúvidas, esta é a prova. Para eles, os interesses partidários estão à frente dos do País e do seu povo.
Todos sabemos que existem decisões estruturais fundamentais para o futuro do País, que necessitam do empenhamento imparcial destes dois partidos, para serem concretizadas e, por via disso, tirarem definitivamente o País do estado de hibernação em que se encontra.
Partindo deste desentendimento, em que não conseguem ou não querem avançar com um nome em comum, como é que o povo português pode continuar a acreditar nos dirigentes actuais destes partidos?
SBF
publicado por voltadoduche às 00:52

29
Mai 09

 

HFF: Está lá? É o senhor SBF?
SBF: Sim, sou eu!
HFF: Muito boa tarde.
SBF: Boa tarde!
HFF: É para lhe dizer que acabamos de marcar a repetição da sua colonoscopia para o próximo dia … às 16 horas. Pode ser?
SBF: Sim, pode! Às 16 h? Então para a próxima semana vou aí ao guiché confirmar e levantar as instruções para a preparação. Estou a falar com?
HFF: Sou a ……., senhor SBF não se esqueça das análises.
SBF: Ok, na 2ª F vou já fazê-las. Muito obrigado, boa tarde!
HFF: Adeus, boa tarde e até para a semana!
Pólipos para cá, pólipos para lá.
Lá vamos fazer mais um passeio turístico às profundezas do “intestanóide” e visitar os primos “pólipos”.
Com tanta prática, já consigo umas fotos dignas de exposição “tipo CCB”.
Em tempo contado em dias, faltam mais de oito, mas já começo a sentir aquele frio na barriga, e a dor, e a depressão vem.
E a campanha eleitoral? Qual campanha? E eles continuam a falar das mesmas coisas, e eles continuam a falar de nada, e eles continuam a fazer pose de importantes quando botam discurso, e eles continuam a olhar, quando conseguem, para o umbigo.
SBF
publicado por voltadoduche às 20:09

 

 
Os noticiários abrem com notícias, ou melhor, repetição de notícias de problemas de justiça ou, na maior parte das vezes, de injustiça.
Neste momento, há três ou quatro processos com tal empenho mediático, que dão para sustentar a informação regular das televisões, rádios e alguns jornais e ainda para a realização de programas especiais.
O engraçado disto tudo, é que o miolo destas intervenções “informativas”, quase nunca acrescenta novidades ao que já se sabe e já se disse. Para além de que, está sempre tudo em segredo de justiça, pelo que as intervenções dos jornalistas, comentadores, advogados e outros convidados, são quase sempre especulativas.
Quando, numa ou outra vez, o repórter chega à fala com algum protagonista do processo, este, se é juiz ou procurador, não pode falar do assunto em concreto, se é arguido ou queixoso, também não pode falar porque está obrigado ao segredo de justiça.
O cidadão está cada vez menos crente nesta justiça. A situação encaminha-nos para esta descrença.
SBF
publicado por voltadoduche às 10:14
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Há exactamente 653 de tempo contado em anos, em 28 de Maio de 1357, na cidade de Lisboa, morria o sétimo rei de Portugal e dos Algarves, D. Afonso IV cognominado “O Bravo”.
De reinado bastante longo, trinta e dois de tempo contado em anos, entre 1325 e 1357, de poucas linhas seria composta a biografia de “O Bravo”, não fora ter sido filho de D. Dinis e de Isabel de Aragão, conhecida para a história por Rainha Santa Isabel porque, pelas beiras da Quinta das Lágrimas em Coimbra, estando certo dia caminhando, com o colo cheio de pães para os pobres, e, em contra-caminho, à vista, El-Rei D. Dinis seu marido, que não ia lá muito à “bola” com a caridade da mulher Rainha, assistiu-se mais ou menos a este diálogo, em cima do embaraço natural da Santa:
 D. Dinis: Que levais no teu regaço senhora?
Rainha Santa Isabel: (Abrindo o regaço e mostrando o seu conteúdo) São rosas Senhor.
(E diz a história, que estavam lá rosas onde antes estavam pães e as rosas viraram milagre e a Rainha virou Santa.)
Pegando no fio da história, e esclarecida a ascendência, passamos à descendência do sétimo que era pai de D. Pedro I, que por sua vez, também deve mais a sua notoriedade ao facto de ter protagonizado o amante fervoroso de Inês de Castro, do que pelos feitos em prol do seu reino.
De biografias falando, e eu li mais do que uma, e também histórias da História desta época, a de D. Afonso IV, ocupa-se, na maioria das suas linhas, com as muito azedas zangas com o seu filho e pretendente ao trono, D. Pedro. Entre muitas intrigas e mesquinhices, perseguiu o filho e D. Inês de Castro, de tal forma que mandou assassiná-la no seu retiro em Coimbra. Se diz também, em muitos manuais da história, que o rei não conseguiu sarar o remorso, e por isso, dois em anos contados depois, morreu sem descanso e sem paz.
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito;
(Luís de Camões, Os Lusíadas – 1572)
Bom, mas estou a escrever sobre o sétimo, porque foi neste dia que ele morreu e é essa a efeméride.
O cognome de “O Bravo” vem-lhe da sua bravura no comando das suas tropas, indo sempre para a frente de combate incitando com o seu exemplo. Do ponto de vista económico deu um grande impulso à marinha, criando a primeira marinha mercante portuguesa e as primeiras armadas que se aventuraram, na descoberta, pela costa de África. Foi no seu reinado que as Canárias foram descobertas.
O seu túmulo está na Sé de Lisboa.
SBF
publicado por voltadoduche às 00:20

28
Mai 09

 

Daquela janela do terceiro andar via Maria pelas verdes águas furtadas às telhas cor de barro num cúmplice olhar. Pela direita, ao longo dos carris dos amarelos, a do alecrim acabava num largo de Camões e Chiado com a ilusão de óptica de afunilamento.
E a Maria entre o recife dos bábás e a brasileira dos natas únicos do cais do sodré, e lá caminhávamos, lado a lado, pela 24 de Julho até à junqueira em estudo da Dona Maria Amália. Mais tarde, ao contrário, com o poente atrás, lá regressávamos muito devagar, o mais devagar possível, com toques leves na mão leve, e os lábios rosados de rosário menina. Eu, também menino, via tudo na frente cor-de-rosa, sempre daquela janela do terceiro andar e o Tejo que levava de Alcântara e de Santos os soldados p’ra guerra. Eu, ainda menino, daquela janela do terceiro andar, sentia o tempo a correr, sem nunca saber se os anos iam passar depressa demais. E a rosário ficava lá nas verdes águas furtadas, e os lenços brancos das mães, das avós, das noivas, das mulheres, acenavam como se levassem com eles a saudade e a promessa de voltarem.
E eu, ainda menino, via a rosário de Maria e a paixão subia, subia, e sentia o tempo a correr e não sabia quando a guerra ia acabar.
SBF
(Foto: Av. 24 de Julho com o mercado da Ribeira à direita - Google)
publicado por voltadoduche às 00:21

27
Mai 09

 

Degradante aquele débito de páginas e páginas escritas que o homem trazia da sua cela de prisão.
Ouvindo-o, até parece que é vítima de todo o mal que há no mundo, e que é inocente até aos “sete costados”.
Não adiantou nada de essencial. Só tentou lançar os outros também para o meio da fogueira, tipo: Se eu for, vocês irão comigo! Pode até acontecer que outros também sejam constituídos arguidos, mas não me parece que seja por causa deste depoimento.
SBF
publicado por voltadoduche às 10:11
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CAL
de
José Luís Peixoto
É o primeiro livro que li deste jovem escritor e gostei.
Este, é uma narrativa de maravilhosos contos autobiográficos e duma peça de teatro. O palco, é a sua terra de nascimento e criação, com uma ou outra excepção.
A forma genial como conta as suas histórias, transporta-nos para uma pequena vila alentejana no período pós-revolução (finais de 70, princípios de 80). Embora nessa época, e por maioria de razão no Alentejo, fosse quase impossível não abordar a questão política, o JLP consegue fazê-lo e ao mesmo tempo, capitalizar o valor e o sentimento humano das suas personagens. O envelhecimento dos vizinhos e familiares, com quem sempre conviveu desde a sua infância, e a consequente chegada à “zona” solitária, ante – câmara da morte, é transmitida de maneira simples e natural.
O José Luís Peixoto, nasceu no ano da revolução em Ponte de Sor e licenciou-se na Universidade Nova de Lisboa. Em 2001, com 27 anos, recebeu o Prémio Literário José Saramago com o romance Nenhum Olhar. Os seus livros estão publicados em muitos países pelo mundo fora e nos mais variados idiomas.
SBF
publicado por voltadoduche às 09:43

26
Mai 09

 

Estes comentadores, analistas, jornalistas e políticos na oposição, empurram-nos tão para baixo que, quando acontece alguma coisa de bom, ou, nem sequer nos apercebemos porque a notícia passa pequenina num canto do ecran da televisão e, na altura, o jornalista tem um ataque de tosse, ou, demoramos tanto tempo a reagir, que quando ficamos conscientes da coisa, o tempo de entusiasmo já passou.
Boas notícias
Ontem, no festival de Cannes, a curta-metragem “arena” do jovem realizador português João Salaviza, recebeu a Palma de Ouro do certame. É a primeira vez que tal acontece com o cinema português.
Hoje, os jovens tenistas: Michelle Brito e Rui Machado ganharam e passaram para a eliminatória seguinte do torneio de ténis de Roland Garros em Paris. No sábado o Frederico Gil não conseguiu ganhar mas subiu para o 66º lugar do ATP. Para Portugueses, todas as situações são inéditas.
Noutra onda, também vimos e ouvimos hoje nos noticiários, o lançamento da distribuição a nível nacional do “cabo fibra - óptica”. Disse o maior da PT, que este avanço tecnológico é o primeiro a nível europeu e o terceiro a nível mundial.
SBF
publicado por voltadoduche às 01:27

 

No “Hotel Babilónia” do último sábado na Antena 1, o Pedro Rolo Duarte e o João Gobern convidaram e ouviram com entusiasmo a jovem fadista, Carminho.
Eu digo, ouviram, porque foi literalmente isso que aconteceu. A Carminho tem 24 anos e uma lição de vida para qualquer pessoa.
Com certeza que, como me aconteceu a mim, também a generalidade dos ouvintes ficaram colados ao rádio ouvindo a linha de prioridades que esta jovem deu à sua vida.
Quando toda a gente lhe perguntava insistentemente, quando é que finalmente gravava o primeiro disco, a Carminho decidiu ir viajar pelo mundo durante um ano (2007), fazendo voluntariado pelos vários países por onde passou. É claro que já tinha alguma experiência a nível nacional, mas, numa altura em que tinha o sucesso a seus pés, percebeu, e bem, que lhe faltava muita coisa para iniciar uma carreira de espírito aberto e com o conforto de saber o seu lugar nesta nossa sociedade.
Sugiro que oiçam a entrevista via “sítio” da Antena 1, e visitem o blogue que a Carminho fez durante o ano que esteve por esse mundo fora (soldadosdocozido.blogspot.com).   
Como fadista, a Carminho já é uma das grandes e, o desejado CD, aí está a partir do dia 1 de Junho.
Parabéns Carminho pela mulher que és!
SBF
(Foto: Guitarra Portuguesa - Blog goatentejo)
publicado por voltadoduche às 00:10

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