A volta das voltas. Chegamos, partimos e lá voltamos sempre!

04
Fev 11

Com o assalto à prisão de S. Paulo em Luanda, durante a madrugada de 4 de Fevereiro de 1961 – fez nesta Sexta-feira 50 anos – e a consequente libertação de presos políticos ali detidos pelo regime colonial, tem, para todos os efeitos, início, a Guerra Colonial. A ação foi reivindicada pelo MPLA e resulta na morte de alguns polícias e do corpo assaltante.

 

Salazar, ainda mal refeito com o desvio do paquete Santa Maria, perpetrado pelo Capitão Henrique Galvão e com grande impacto em Portugal e no estrangeiro, preferiu continuar a assobiar para o lado e, na onda do “orgulhosamente só”, ignora todos os avisos, ignora a história e a comunidade internacional, decidindo lançar as forças vivas do País numa Guerra fratricida, dada a afinidade irmanada de tantos séculos de convívio com as populações africanas. Guerra injusta para os africanos e para os portugueses mas, para Salazar, a permanência no poder e em ditadura, era mais importante do que os valores progressistas e humanistas.

 

A pressão contra o regime de ditadura e colonial português aumenta, com o Conselho de Segurança das Nações Unidas a aprovar moções contra Portugal e, a 15 de Março do mesmo ano de 1961, um grupo de guerrilheiros da UPA de Holden Roberto, começa a atacar fazendas e postos administrativos no norte de Angola. Definitivamente, instalava-se a Guerra. O regime colonial continuava a não dar mostras de querer negociar com os Movimentos de Libertação. Refira-se que, nesta fase, Portugal mantinha-se como último País europeu com colónias em África. Todos os outros: Inglaterra, França, Alemanha e Bélgica, após o fim da Segunda Guerra Mundial, começaram a negociar as independências das suas colónias e, em 1961, (exceção para a Argélia, com outros contornos e em Guerra com a França, só seria independente em 1962) já eram novos Países ou estavam em vias disso.

 

Salazar, depois de se livrar dos opositores em Portugal, com a PIDE mais ativa do que nunca e a desmantelar o golpe do “reformista” de regime, Botelho Moniz, continua a não perceber a história e, no famoso discurso à Nação em Abril de 1961, no que respeita à Guerra Colonial, só tem uma coisa para dizer: «Para Angola, rapidamente e em força».

 

Resultado instantâneo desta ordem do ditador: Regimentos completos de militares são mobilizados para combater os Movimentos de Libertação em Angola e, nos anos seguintes, na Guiné e Cabo Verde, Moçambique e em Timor. Estava em marcha a maior “negação” da história, de que há memória.

 

4 de Fevereiro de 1961 é marcante para os angolanos, para os PALOP’s e para todo o continente africano, mas também para os portugueses.

 

Foi o início do virar da página colonial. Foi o começo do fim da ditadura em Portugal.

 

Na coluna do crédito, fica a haver um preço muito alto pago por todos os povos que sofreram pelos erros dos nossos governantes.

 

Silvestre Félix


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